Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reflexões. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de junho de 2019

VOVÓ ESTÁ AQUI



Jorginho era um garoto encantador e era a alegria de sua avó, que morava com a família.

Dona Marta ficava feliz em poder estar com ele, cuidá-lo, enquanto os pais ficavam fora a trabalho.

Tudo transcorria bem naquele lar até que ela adoeceu e precisou ser internada em um hospital.

Os pais procuraram distrair o pequeno para que não se pusesse a chorar, vendo a senhora sofrer, e lhe disseram que ela fora viajar.

Nunca o levaram ao hospital para visitá-la. Depois de alguns dias, não resistindo, dona Marta partiu para a Espiritualidade.

E como alguns pais fazem, tudo ocultaram do menino. Para todos os efeitos, vovó continuava viajando.

Então, durante um jantar, quando se reuniam à mesa, o menino perguntou:

Mamãe, por que você não arrumou o lugar da vovó na mesa?

Surpresa, a senhora gaguejou um pouco e disse que dona Marta ainda estava viajando.

Ela voltou, não está vendo? – Foi a resposta rápida do pequeno. Ela está ali, sentadinha no lugar dela.

Está me dizendo que veio se despedir, porque não fez isso antes e ela vai viajar para muito longe.

Os pais ficaram um pouco assustados, sem saber o que pensar. Para eles, aquilo era algo que não conseguiam entender.

Nos dias seguintes, vez ou outra, surpreenderam o filho conversando com a avó e se preocuparam com a sua saúde mental.

Buscaram explicações e encontraram a maravilhosa informação a respeito da vida imortal.

Aprenderam que o Espírito, o detentor dos sentimentos e dos conhecimentos, das lembranças e dos amores, não morre nunca.

Foi assim que, compreendendo o que acontecia, entenderam que Jorginho tinha a possibilidade de ver o Espírito da avó, que o visitava.

Finalmente, um dia, o garoto disse que a vovó se despedira mesmo porque chegara a hora dela ir para outro lugar.

Sua mensagem final foi de gratidão ao filho, à nora e ao neto.

E os pais viram o pequeno fazer o gesto característico de quem abraça e é abraçado. Era a despedida, depois da qual o menino ficou tranquilo, entendendo a ausência física da avó.

*   *   *

Saber que a vida prossegue depois da morte traz tranquilidade aos que permanecemos na carne.

Compreender que o amor que construímos e espalhamos estará sempre ao nosso redor, nos alimentando, é um doce consolo.  Entender que o aprendizado, que armazenamos em nossa mente, não se perderá jamais, nos convida a aprendermos sempre, mesmo que se dobrem os anos.

Saber que a nossa felicidade ou infelicidade futuras depende dos sentimentos que nutrirmos, nos concede rumos para nossa jornada, nos convidando a plantar flores na caminhada, para colhermos perfumes mais tarde.

Tudo isso é de muita importância. Entretanto, na qualidade de pais, devemos aprender a não esconder a realidade da morte física dos nossos pequenos.

Afinal, a morte alcança os seus animais de estimação. Também as pessoas que amam.

Falar-lhes da enfermidade que os abraça, da morte que os arrebata fisicamente, é lição que não devemos postergar, nem esquecer.

Tudo isso lhes permitirá, inclusive, valorizar ainda mais as suas presenças, enquanto neste mundo de cá.


Redação do Momento Espírita.
Em 22.6.2019

sábado, 15 de junho de 2019

PARA QUE EU ATRAIA O BEM PRECISO DE FICA BEM



Para que eu atraia o bem, preciso ficar bem. E fim. Não é necessário mais nada além disso. Basta compreender essa frase para entender como funciona essa lei. E constantemente as pessoas se debatem sobre sua vida, aquilo que querem, seus sonhos. No entanto, elas não prestam a devida atenção ao que estão sentindo, revolta, medo, aflição, carência. Nenhum desses estados é bom, concorda comigo? Você se sente bem nesses estados que citei acima? Não. Então, como acha que vai atrair o bem sentindo o que é mal? Impossível.

A lei do eletromagnetismo (Lei da atração) é clara, eu crio o que eu emano. Não importa se meus motivos são nobres, se quero enriquecer para fazer o bem. Nada no sentido intelectual conta para determinar o que vou manifestar. Nem mesmo se eu disser que sou iluminado, que quero usar todos os meus recursos a favor da Luz, nada disso importa para convencer o Universo.

É só o que eu vibro, apenas isso. Se eu ficar bem, trago o que se compatibiliza com isso para a minha experiência. - Ah, mas é difícil! - Eu diria que é desafiador e requer habilidade. Quantas coisas em sua vida eram tremendamente difíceis no começo e hoje são praticamente automáticas? Muitas, tenho certeza. Criar a própria realidade é a mesma coisa. O sentimento é que vai determinar, não o que você quer. E a menos que a gente se acostume com isso e aceite a regra do "jogo", a realidade não vai mudar. Não depende de eu acreditar nisso ou não. Se eu pular de um prédio, não preciso saber da lei da gravidade e nem acreditar nela pra ter a certeza de que eu vou me estabacar lá embaixo. Com a lei do eletromagnetismo é a mesma coisa. Vamos praticar a boa vibe?

Luz e Benção!


Mensagem de Vinícius Francis 14/06/2019

sexta-feira, 14 de junho de 2019

ENVELHECER É UMA ARTE



Graças às conquistas médicas, a condições melhores, a possibilidade de longevidade foi aumentada.

Isso nos diz que temos a possibilidade de viver para além dos setenta anos.

Por isso, um alerta se faz de importância. Precisamos aprender a envelhecer. Aprender a olhar para o espelho e perceber que a face não apresenta o mesmo viço.

Contudo, é imperioso que descubramos que nosso olhar continua brilhante, inquieto, desejando ver todas as cores de todos os dias.

Cora Coralina, a poetisa e contista brasileira, que morreu aos noventa e cinco anos de idade, tinha sua fórmula especial para bem envelhecer.

Em entrevista, declarou: Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo para você, não pense.

Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.

É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos. Isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida.

O melhor roteiro é ler e praticar o que se lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.

Também não diga para você mesmo que está ficando esquecido, porque assim você fica mais.

Nunca digo que estou doente. Digo sempre: estou ótima.

Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansado e esquecido, mais esquecido fica.

Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então, silêncio!

Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha.

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.

Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.

*   *   *

Essa mulher extraordinária não deixou somente palavras bonitas, mas exemplos.

Manteve a jovialidade da alma no avançar dos anos. Criou filhos, enviuvou, produziu e vendeu linguiça caseira e banha de porco para se manter.

Enquanto escrevia versos e contos, derramando a fonte de sua juventude pelas letras, começou a fazer doces para vender em sua cidade de Goiás.

Ela viveu a religiosidade, a simplicidade, trabalhando, auxiliando quanto pôde.

Sobre o despedir-se da vida, escreveu: Morrerei tranquilamente dentro de um campo de trigo ou milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros.

Que belas lições! Pensemos a respeito.


Redação do Momento Espírita, com base
em dados biográficos de Cora Coralina.
Em 13.6.2019

domingo, 9 de junho de 2019

MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV


"A Criação, com a multiplicidade das suas manifestações e dos acontecimentos que nela se passam, na realidade pode ser reduzida a um jogo de números. Se se consegue vivificar os números, compreender como eles operam, vê-se que representam forças que agem na Natureza, e as suas somas, as suas subtrações, as suas multiplicações, as suas divisões, engendram as formas e os movimentos. Quando se olha para a concha de um caracol ou a estrutura de um cristal, como é possível não admirar o trabalho dos números? Todos os princípios da aritmética estão presentes nas pedras, nas plantas, nos animais, nas estrelas, nos corpos dos humanos, na sua vida psíquica e até no seu destino.
Os números estão, pois, na origem da Criação: cada existência é o resultado da cristalização e da agregação de elementos materiais em torno de um número. Aquele que consegue adquirir a verdadeira ciência dos números, não só é capaz de penetrar nos mistérios da Criação, mas também possui a omnipotência do espírito, pois os números são a primeira expressão do espírito."

"«Não há nada novo sob o Sol.», dizia Salomão. Admitamos que sim… Mas o Sol não é sempre novo? Todas as manhãs, quando nasce, ele convida-nos a recebermos uma vida nova, a harmonizarmo-nos com as novas correntes que ele envia para o Universo. E porque é que havemos de ficar sob o Sol? Se, pelo pensamento, tentarmos subir até ao Sol, se entrarmos em sintonia com o seu coração, todos os dias ele nos parecerá novo.
Evidentemente, de início é difícil sentir o Sol como um ser vivo, vibrante. Olhais para ele e ele parece-vos longínquo. Porquê? Porque não faz parte de vós; ou antes: porque ainda não conseguis fazer parte dele. Mas perseverai, esforçai-vos por entrar nele, e em breve recebereis dele forças novas. Será como se, pela primeira vez e finalmente, vivêsseis."

"Nunca se deve esquecer que a realidade se manifesta sob dois aspetos opostos: há o puro e o impuro, o luminoso e o tenebroso, o bem e o mal. O verdadeiro saber compreende os dois. Por isso, todos os verdadeiros Iniciados têm de confrontar-se com as forças do mal. Não se limitam a conhecer o bem e a trabalhar com ele, exploram também o mal, “descem aos infernos”, essas regiões a que as tradições chamam o mundo de baixo. Eles preparam-se durante muito tempo e, quando estão bem equipados e tomando grandes precauções, decidem enfrentar esse mundo de baixo e os seus habitantes.
Certos espíritos audaciosos quiseram aventurar-se nessas regiões, mas ainda não tinham dimensão para o fazer. É aí que a fórmula «saber, querer, ousar, calar-se», que os Iniciados transmitem uns aos outros de século em século, ganha todo o seu sentido. Depois de ter adquirido os conhecimentos necessários, o Iniciado tem vontade de agir. Então, ousa enfrentar as forças do mal. E, quando alcançou a vitória, cala-se, porque é perigoso falar dos infernos aos humanos que não estão preparados para ouvir: alguns poderiam ficar assustados e outros lançar-se em experiências muito arriscadas."

"O Sol que nasce todas as manhãs marca o início de um dia e, se vós tiverdes projetos, sois livres de os realizar ou não, e também de lhes introduzir alterações. Mas, no momento em que o Sol se põe, quando o dia terminou, o que está feito está feito, nem mais nem menos. O pôr do Sol representa o fim do ciclo que é um dia. Mas, na linguagem simbólica, um dia não é unicamente um período de vinte e quatro horas, pode representar também um mês, um ano e até uma vida.
É dado a cada ser humano um período suficientemente longo para ele cumprir as suas obrigações, reparar os seus erros. Uma vez esgotado esse tempo, aqueles que foram negligentes, que mostraram má vontade ou que, tendo agido mal, não repararam os seus erros, sofrerão a ação da lei do carma. Quando não se pôs as suas questões em ordem antes do pôr do Sol, isto é, antes de deixar a terra, encontrar-se-á as mesmas dificuldades numa próxima encarnação. E “pôr as suas questões em ordem” significa restabelecer relações harmoniosas não só com as pessoas que fazem parte do seu círculo social, mas também com o mundo divino."

"Aquele que decide entrar em si mesmo descobre que a fonte das suas riquezas, o seu espírito, é inesgotável e que, com poucas coisas, se sente preenchido. Somos forçados a voltar sempre à mesma questão: como libertar o espírito em nós. É com ele que devemos começar por contar. Nos momentos de provação e de perturbações, só o espírito tem o poder de nos aguentar e nos dar os meios para nos reconstruirmos. Tudo pode abandonar-nos, podemos perder tudo, exceto nós mesmos, o nosso espírito. Então, porque não havemos de procurar aí, em nós, se é a única posse, a única certeza que temos realmente?
Tudo pode servir-nos para procurarmos as riquezas que o espírito depositou em nós: os nossos sucessos e as nossas alegrias, evidentemente, mas também as nossas provações e as nossas dores. Talvez essas riquezas não sejam evidentes, pois o que nos foi dado de mais precioso pelo Criador está profundamente “enterrado” em nós. Mas, graças ao esforço que faremos para as descobrir, cresceremos no mundo do espírito."

"O espaço psíquico que rodeia a Terra desembaraça-se naturalmente das entidades inferiores que ali atrapalham; elas vão sendo rechaçadas e absorvidas pelas profundezas subterrâneas. No entanto, restam sempre algumas e, muitas vezes, são elas que se manifestam nas sessões espíritas.
Entrar na mente de um médium e falar em nome de Moisés, Jesus, Joana d’Arc, Napoleão, está ao alcance da mais baixa das entidades; o nome pelo qual ela se apresenta não prova nada. As entidades que aí se manifestam vêm do plano astral inferior e, muitas vezes, têm um prazer perverso em enganar os humanos. Então, as pessoas que julgam estar a ser esclarecidas pelas respostas que recebem afundam-se ainda mais no erro e acabam sempre por sofrer graves desequilíbrios. Não é interdito assistir a sessões espíritas para se ter uma ideia do que lá se passa, mas há que ter prudência, não se deve ser demasiado crédulo."

"Tomar e dar, ou receber e dar em troca, são como os dois pratos de uma balança. Quando tomais posse de algo ou recebeis algo, deveis dar qualquer coisa em troca para restabelecer o equilíbrio. E mesmo que não vos deem nada, dai vós! Porquê? Porque desse modo desencadeais um movimento e recebeis alguma coisa em retorno.
Se quereis verdadeiramente que fique algo de bom da vossa passagem pela terra, habituai-vos a dar. Observai uma fonte: os animais vão lá dessedentar-se, junto dela as árvores e as plantas crescem, os homens constroem as suas habitações, porque ela está sempre a dar a todos a água pura que recebeu do cume. A nascente ensina-nos que só existe um método verdadeiro para criar e manter a vida, é dar, dar o que temos de melhor no nosso coração e na nossa alma. É tornando-nos uma nascente que obtemos as verdadeiras riquezas. Só possuímos verdadeiramente o que somos capazes de dar."

"É difícil libertarmo-nos dos planos astral e mental – os sentimentos e os pensamentos vulgares – para nos elevarmos até ao plano causal, onde o espírito dita a sua lei. Do mesmo modo que um peixe que decidisse sair do mar ou do rio e viver no ar livre teria de preparar em si pulmões para tal, aquele que quer lançar-se até ao plano causal precisa de desenvolver órgãos apropriados. E, mesmo depois de ter conseguido projetar-se até lá, só pode aí permanecer por um momento: ainda não tem as condições para lá se manter demoradamente.
Conseguireis realizar estas condições um dia se, pela oração e pela meditação, vos esforçardes por elevar-vos, com a máxima frequência possível, até às regiões superiores do vosso ser. Pouco a pouco, sentireis as repercussões desse trabalho nos vossos pensamentos, nos vossos sentimentos, no vosso comportamento quotidiano e até na vossa saúde. Será como se fossem dadas ordens de cima para que tudo se organize e se harmonize em vós. Podeis imaginar que partis para subir a uma montanha. Esta imagem levar-vos-á até uma outra montanha, dentro de vós, e depois ainda a uma outra. Até ao dia em que chegareis ao cume, ao plano causal, ao vosso Eu superior."

"Viver a vida eterna… Esta vida eterna à qual aspiram os místicos não é uma duração de tempo, mas um estado de consciência. A partir do instante em que entramos em contacto com a Fonte Divina, e enquanto permanecermos nela, a vida eterna circula em nós, pois a vida eterna é uma qualidade de vida, abundante, rica, plena.
Uma imagem muito simples pode dar-nos uma ideia. Peguemos num pau… É um objeto retilíneo com um começo e um fim; portanto, algo que é limitado. É o tempo. Mas suponhamos agora que este pau é flexível e que o curvamos até juntarmos as duas extremidades: ele torna-se um círculo e, com esse círculo, podemos ter uma ideia da eternidade: nem começo, nem fim… uma unidade infinita. Cada momento da nossa vida que conseguimos ligar à Fonte Divina entra no círculo e torna-se vida eterna; ao entrar no círculo, ele mudou de natureza, já não é uma parcela separada do Todo. Cada ponto da linha reta é um momento do tempo e cada ponto do círculo é um momento da eternidade."

"O cristianismo ensina-nos o mistério de um Deus em três pessoas, a que chama o mistério da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas, para aqueles que sabem usar a lei da analogia, não é um mistério. Uma dessas analogias é-nos dada pelo Sol.
O Sol é uma extraordinária força criadora de vida que se manifesta como luz e como calor. Quando se aprofunda estas manifestações, descobre-se as relações que existem entre a vida, a luz e o calor do Sol e as três pessoas da Trindade. Estes três princípios encontram-se em todos os níveis da Criação, do plano físico ao plano divino. No plano espiritual, a vida, isto é, a omnipotência criadora, manifesta-se como sabedoria, ou luz, e como amor, ou calor. São estes três princípios que encontramos na Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são indissociáveis, tal como são indissociáveis a vida, a luz e o calor do Sol. Então, o mistério de um Deus em três pessoas não é assim tão difícil de explicar. O que continua a ser um mistério é a imensidão, o esplendor, da Essência primordial de onde saíram todas as existências."

"Há todo o tipo de entidades tenebrosas que tentam seduzir os humanos. Cabe-lhes a eles saberem reconhecê-las e responder-lhes. Para lhes responderem, basta dizerem “não”.
O verdadeiro poder do homem está em dizer “não”. Ninguém pode obrigá-lo a fazer o que ele não quer. Mesmo Deus não pode forçá-lo. Se ele soubesse onde reside o seu verdadeiro poder, venceria todas as seduções, todas as tentações. Ele só comete erros porque aceita cometê-los. Os espíritos têm o direito de o tentar e os meios para o fazer, mas não têm qualquer direito de o forçar. É por ignorância da sua origem divina que o homem sucumbe aos ataques do mal. Quando ele é capaz de dizer “não”, os espíritos das trevas deixam-no e os espíritos da luz vêm servi-lo. Sempre que ele obtém uma vitória interior, sempre que ele resiste a uma tentação, recebe luz e força."

"O ser humano é senhor do seu destino. Há imensas pessoas que ainda acreditam que a sua existência é regida pelo acaso ou pela fatalidade; ou, então, que existe uma vontade superior que se lhes impõe, a vontade de Deus ou dos deuses. A Igreja ainda ensina aos cristãos que o seu destino é regido pela vontade de Deus, uma vontade misteriosa, impenetrável. Uma criança nasce defeituosa, um homem é condenado injustamente, uma mulher é atropelada por um automobilista embriagado ao atravessar a rua e morre… Alguém dirá: «É a vontade de Deus.» Não, não existe uma vontade de Deus que distribui arbitrariamente felicidade ou infelicidade. Foram os próprios humanos que, pela vida que viveram num passado próximo ou longínquo, prepararam as condições da sua existência atual.
Aquilo a que se chama o “destino” de um ser é o cumprimento, a aplicação, das leis que ele próprio pôs a funcionar com os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus atos. É ele que forja o seu destino. Se agiu mal no passado, mas decide praticar, daí em diante, a justiça e a retidão, viverá a verdadeira vida, a vida da alma e do espírito, a vida imortal."

"Os humanos procuram os poderes, a riqueza, o saber, o amor... Mas é a vida, antes de tudo o mais, que eles deveriam procurar. Dir-me-eis que não necessitais de procurar a vida, porque já a tendes, e que se deve procurar o que não se tem. Vós estais vivos, é certo, mas a vida não é a mesma em todos os seres, tem graus.
 Desde o mineral até Deus, passando pelos vegetais, pelos animais, pelos humanos e pelas hierarquias angélicas, tudo o que existe tem vida. Mas estar vivo não basta, é preciso ter em conta a qualidade dessa vida. Pela sua configuração física, um ser humano vive, é claro, a vida de um humano. Mas, interiormente, a sua vida pode assumir todo o tipo de aspetos, o das pedras, o das plantas ou o dos animais, e também o dos Anjos e o dos Arcanjos. É esta vida angélica que ele deve fazer correr em si, a corrente que jorra pura e límpida da Nascente original."

"O orgulhoso imagina que é grande e vê-se sempre acima dos outros. Mas, na realidade, não é ele próprio que se engrandece, é um tumor que se vai desenvolvendo nele. Inchar não é crescer. O verdadeiro crescimento de um ser faz jorrar dele raios, centelhas, vibrações benéficas para todos, e só a humildade permite esse crescimento.
Um dos grandes segredos da vida reside, pois, nesta virtude tão raramente compreendida e apreciada: a humildade, a consciência de que existe um mundo superior e a vontade de entrar em harmonia com as entidades que nele habitam: os Anjos, os Arcanjos... até Deus. Por isso se pode dizer que a humildade é uma forma de inteligência. Ao virar o seu olhar para o Alto, o homem humilde descobre que o Céu é infinito e sente-se atraído, absorvido por ele. Simplesmente por ter mudado a orientação do seu olhar, entrou na imensidão."

"O que é uma qualidade, uma virtude? Uma entidade espiritual que veio habitar num ser para se manifestar por seu intermédio. Portanto, se quereis que entidades mais elevadas venham manifestar-se por vosso intermédio, dando-vos novos conhecimentos, novos poderes, preparai boas condições para elas. Acima de tudo, mostrai-lhes que sois capazes de fazer frutificar o que já recebestes. Então, com que alegria elas se ocuparão de vos enriquecer e vos embelezar mais, e de enriquecer e embelezar também os outros, por vosso intermédio!
Fareis frutificar esses dons, essas virtudes, participando conscientemente, harmoniosamente, na vida universal. E não digais que isso exige muitos esforços que os outros talvez não reconheçam. Se os outros reconhecem ou não, é coisa que não deve preocupar-vos. Só deve contar, para vós, a opinião do vosso Pai Celeste, pois, um dia, tereis de prestar-Lhe contas pelo uso que fizestes das riquezas que Ele vos concedeu. Como Ele vo-las deu, são vossas, mas só vos pertencerão verdadeiramente se as fizerdes frutificar para bem dos outros."

"Quando fazeis uma caminhada na floresta, não vos limiteis a mirar distraidamente as árvores pelas quais passais, tomai consciência de que se trata de criaturas junto das quais podeis regenerar-vos. Escolhei uma – um castanheiro, um pinheiro, uma faia, uma bétula… – e saudai-a, pedindo-lhe que vos dê da sua força. Depois, encostai-vos a ela, colocando a vossa mão esquerda nas costas, com a palma apoiada na árvore, e a palma da mão direita sobre o vosso plexo solar. Concentrai-vos, pensando que recebeis pela mão esquerda correntes de vida dessa árvore e que as verteis com a mão direita no plexo solar. Alguns minutos depois, sentir-vos-eis apaziguados, reforçados. Então, agradecei à árvore o que ela vos deu e continuai a caminhada.
É claro que, para se pôr em prática convenientemente esta transfusão de energias, é preciso estar consciente de que as árvores são seres vivos e amá-las. Hoje em dia, muito poucas pessoas têm ideia da força prodigiosa que as árvores de uma floresta possuem. Como não procuram estudar a linguagem de cada coisa na Natureza, a maior parte delas perderam os segredos da regeneração. Se aprenderem a vivificar-se junto das árvores, redescobrirão esses segredos."

"Se tivésseis o hábito de observar as vossas mãos, constataríeis que as linhas que as atravessam, em particular as linhas da vida, do coração e do intelecto, que são as mais importantes, podem estar mais ou menos cavadas, mais ou menos profundas. Essas diferenças revelam o estado do vosso organismo, pois todos os processos vitais se inscrevem nas mãos. Isto tornar-se-á claro para vós quando estudardes como a Natureza age sobre o corpo físico com a eletricidade e o magnetismo, a luz e o calor.
As mãos estão sempre a instruir os humanos e a fazer-lhes profecias. Se eles soubessem interpretar as suas linhas, não se aventurariam à toa por caminhos sem saída. Leem bibliotecas inteiras, mas esquecem que têm em si uma, a maior que existe, e que a transportam consigo para toda a parte. Foi também aí, nas suas mãos, que o Criador inscreveu os mistérios da vida."

"Quando abris os olhos de manhã, em que é que pensais? Nas preocupações da véspera, nas dificuldades que vos esperam, nos problemas que tereis de resolver… Não é uma boa maneira de começar o dia. Deixai as vossas preocupações para mais tarde, elas podem esperar. Começai por virar o vosso pensamento para o Céu, dizendo: «Senhor, agradeço-te por estar vivo hoje. Eis mais um dia em que continuo a poder ver, ouvir, caminhar, amar, estudar… Fortalece a minha vontade, para que tudo o que eu faço seja para o teu bem.»
Aquele que exprime, desde o despertar, a sua gratidão para com o Senhor aumenta em si o amor e a luz, e esse amor e essa luz influenciam cada momento do seu dia. Ele olha o mundo que o rodeia com outros olhos, tem uma atitude melhor para com aqueles que encontra e eles abrem-se em relação a si, porque sentem que ele espalha paz e alegria."

"O Universo é um corpo que Deus anima com o seu espírito. Foi ele que os filósofos antigos designaram por macrocosmos. Do mesmo modo, o homem possui um corpo, o microcosmos, criado à imagem do macrocosmos, e o espírito que anima esse corpo é uma centelha proveniente do Espírito divino.
Há imensos séculos que se repete que Deus criou o homem à sua imagem! O que significa que, ao criar-nos, Ele introduziu em nós uma quinta-essência de Si mesmo, da mesma luz, com a mesma pureza, o mesmo poder. É a esta quinta-essência divina em nós que a Ciência Iniciática chama “Eu superior”. Portanto, se nos concentramos no nosso Eu superior, entramos em relação com Deus, porque o nosso Eu superior é uma parcela d’Ele. Graças aos esforços que fazemos para contactar com esse centro em nós – podemos dizer também “esse cume”, pois, do ponto de vista espiritual, o cume é análogo ao centro –, fazemos jorrar forças que vivificam todas as células do nosso corpo."

"Após o dilúvio, quando as águas baixaram, Deus disse a Noé e ao seu filho: «Sede fecundos, multiplicai-vos e povoai a Terra.» Estas palavras significam apenas que, para obedecerem a Deus, os humanos devem reproduzir-se? Na verdade, pode-se dar-lhes um sentido muito mais amplo: trazei ao mundo filhos com um coração repleto de amor e um intelecto luminoso; será assim que ampliareis o vosso poder na terra. Que terra? A vossa própria terra, vós mesmos: por intermédio dos vossos sentimentos e dos vossos pensamentos, cobri-la-eis com uma geração magnífica.
Quando os pais têm um filho muito inteligente, muito capaz, que se distingue nas ciências, nas artes, na política, etc., a influência deste começa a estender-se por toda a parte. Isso também é, para os pais, uma maneira de povoar a terra: povoam-na por intermédio dos seus filhos e dos sucessos que eles obtêm. Do mesmo modo, todos aqueles que vivem com amor e sabedoria povoam o mundo inteiro com pensamentos luminosos e sentimentos calorosos: estes filhos espalham por toda a parte boas sementes e melhoram a vida de todos os humanos. "

"A paz, a verdadeira paz, é um estado interior estável e constante. Quando tiverdes conseguido realizá-la verdadeiramente, já não podereis perdê-la. Ela segue-vos por toda a parte. Direis que, como a vida é uma sucessão de alternâncias – sucessos e insucessos, abundância e pobreza, saúde e doença, alegria e sofrimento... –, é impossível alguém sentir-se sempre em paz. Não, não é impossível. Quando tiverdes aprendido a restabelecer diariamente a ligação entre a vossa consciência e os centros espirituais situados no vosso cérebro e no vosso plexo solar, já nada vos perturbará verdadeiramente. Se estiverdes solidamente ancorados num ponto fixo em vós, podereis ficar doentes, perder subitamente toda a vossa fortuna, ser presos, perseguidos, ver desaparecer os seres que amais, sem que essa paz vos deixe.
Não digo que não sofrereis. Mas sofrer não significa perder a sua paz. Na medida em que a vossa consciência não estagna ao nível dos acontecimentos, encontrareis, para cada dificuldade, para cada provação, uma explicação, uma verdade que vos apazigua e vos consola. Como conseguistes projetar-vos até ao cume, muito alto, compreendeis que as vossas dificuldades e os vossos sofrimentos são passageiros, que vós mesmos sois imortais e que existe uma região em vós onde já nenhum mal pode atingir-vos."

"Quando abris os olhos de manhã, em que é que pensais? Nas preocupações da véspera, nas dificuldades que vos esperam, nos problemas que tereis de resolver… Não é uma boa maneira de começar o dia. Deixai as vossas preocupações para mais tarde, elas podem esperar. Começai por virar o vosso pensamento para o Céu, dizendo: «Senhor, agradeço-te por estar vivo hoje. Eis mais um dia em que continuo a poder ver, ouvir, caminhar, amar, estudar… Fortalece a minha vontade, para que tudo o que eu faço seja para o teu bem.»
Aquele que exprime, desde o despertar, a sua gratidão para com o Senhor aumenta em si o amor e a luz, e esse amor e essa luz influenciam cada momento do seu dia. Ele olha o mundo que o rodeia com outros olhos, tem uma atitude melhor para com aqueles que encontra e eles abrem-se em relação a si, porque sentem que ele espalha paz e alegria."

"Pegai num objeto e dai-lhe do vosso amor. Dizei-lhe: «Vou pôr-te aqui. Purificarás o ar, cantarás...»
Já lestes, certamente, que, no Egito antigo, os sacerdotes preparavam objetos que punham nos túmulos para ajudarem os defuntos no além. Para isso, utilizavam técnicas especiais, pronunciavam certas fórmulas... Mesmo sem conhecerdes essas fórmulas, podeis já começar a fazer um trabalho com os objetos. Pelo facto de os encarardes como seres vivos, também compreendereis melhor as histórias que se contam sobre ícones e estátuas que faziam saudações, que se inclinavam, que falavam, sorriam ou choravam. Mesmo que não vejais esses objetos mexerem-se, mesmo que não os ouçais falar, estabelecer-se-á uma ligação real entre eles e vós. Eles apoiar-vos-ão nos vossos esforços para criar um mundo novo, acompanhar-vos-ão no caminho da luz."






quinta-feira, 23 de maio de 2019

ACONCHEGANDO-NOS NO CORAÇÃO DE DEUS



Originada do sânscrito, a palavra Namastê literalmente significa: Curvo-me perante a ti.

Em sentido mais amplo e difundido, expressa: O Deus que habita meu coração saúda o Deus que habita o teu coração.

Enquanto cumprimento, acompanhado de ligeira curvatura, Namastê revela o respeito que há entre indivíduos que se reconhecem partícipes da mesma essência, da mesma origem, do mesmo destino.

Como filhos de Deus, trazemos em nós o traço divino que a todos nos iguala, que nos faz reconhecer no próximo verdadeiro irmão.

Origina-se daí a recomendação do Cristo: Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

*   *   *

Voltar a lecionar ofereceu renovado ânimo à professora aposentada Ione, de noventa e dois anos.

Tudo mudou com a chegada de sua nova cuidadora, Maria da Silva, de trinta e cinco anos. Mãe de três filhos, ela contou que nunca tivera a oportunidade de ser alfabetizada.

Ao saber disso, a professora não perdeu tempo: Você gostaria de aprender a ler e a escrever?

A partir da resposta afirmativa, as aulas iniciaram. Tão logo a cuidadora chegava para trabalhar, ambas se sentavam à mesa. Ao alcance das mãos, cadernos, canetas, lápis e borracha.

Pouco a pouco, os resultados começaram a aparecer.

No alto da folha, o título: Meu primeiro ditado. Consoantes e vogais foram se somando, os sons, por meio da escrita, se materializando e as palavras, surgindo: bala, casa, dedo, fada.

O resultado também foi positivo para dona Ione, que voltou a fazer aquilo que mais ama na vida: ensinar.

Maria ganha conhecimento e vovó, alegria. Nós, familiares, também ganhamos, pois podemos presenciar uma cena linda e edificante. Vovó parece até mais jovem, relata a neta de dona Ione.

*   *   *

Cada um de nós traz em si a essência Daquele que nos criou.

Quando secamos lágrimas, quando ofertamos o alimento, quando perdoamos, quando amamos desinteressadamente, quando educamos, quando valorizamos o esforço do próximo, ligamo-nos intimamente ao Criador.

Quando distendemos a mão aos necessitados, quando nos elevamos em prece por aqueles que já retornaram às moradas celestes, quando compreendemos as limitações alheias e a elas destinamos paciência e tolerância, sintonizamo-nos perfeitamente com Aquele que é a fonte de toda a vida.

Vós sois deuses, ensinou-nos Jesus. Por meio de nossas escolhas, de nossos pensamentos, ações e vontade, tornamo-nos instrumento divino no concerto da Criação.

Em meio às dúvidas, na falta de fé, quando os passos se tornam vacilantes; em momentos nos quais sentimos medo ante os desafios que se fazem necessários ao nosso progresso; quando ouvirmos apenas o silêncio em resposta às nossas rogativas, busquemos o próximo.

Façamos o bem. Amemo-lo.

Encontremos a assinatura divina no outro, e permitamos que ele igualmente a encontre em nós.

*   *   *

Por meio de nosso irmão, obtemos respostas, ouvimos a voz celeste, alçamos um caminho para a felicidade, aconchegamo-nos no coração de Deus.

Pensemos nisso! Amemo-nos uns aos outros!


Redação do Momento Espírita,
com base na biografia de Ione Nóbrega
e de Maria da Silva.
Em 22.5.2019
Fonte: http://www.momento.com.br

domingo, 19 de maio de 2019

VISUALIZAR



Vivemos, na atualidade, fenômenos culturais muito curiosos. Um deles é o das novas palavras e novos significados para termos antes pouco utilizados.

Pela primeira vez na História, no ano de 2015, o Dicionário Oxford elegeu não uma palavra propriamente dita, mas um emoji, como palavra do ano.

O emoji é uma imagem pictográfica que representa uma palavra ou frase. No caso, a imagem vencedora representava um rosto com lágrimas de alegria.

Todos os anos, a editora elege a palavra que, naquele período, atraiu muito interesse.

Os termos candidatos ao prêmio são debatidos por um júri que, segundo a instituição, escolhe o vencedor com base no potencial duradouro e na significância cultural.

Uma outra palavra que ganhou novo significado foi o verbo visualizar.

Visualizar é diferente de olhar, de ver ou ler.

Visualizar é tomar ciência de algo, num golpe de olhar apenas, sem qualquer tipo de aprofundamento.

O verbo visualizar também instaurou uma urgência pela resposta, pois se alguém visualiza algo e não responde de imediato, desperta do lado de lá uma imensa preocupação.

Visualizou: precisa responder imediatamente.

Visualiza-se algo, mas não se reflete sobre aquilo. Visualizamos uma mensagem e temos pouco ou nenhum tempo de elaborar, seja um pensamento ou uma resposta.

Jacques Lacan, importante psicanalista francês, levanta uma questão que ele chama de tempo lógico.

Para ele, haveria uma diferenciação entre três tempos: o tempo de ver, de compreender e de concluir.

O tempo de ver é o tempo no qual uma certa percepção chega até cada um de nós. É o impacto sensorial que temos quando percebemos alguma coisa.

O tempo de compreender é aquele no qual lemos essa percepção a partir de acontecimentos anteriores de nossa vida, e que fazem com que essa percepção ganhe algum sentido para nós.

Finalmente, é a partir do tempo de concluir que cada um realiza um certo ato, se implica numa decisão, escolhe o que fazer a partir daquilo que compreendeu.

Diante do novo sentido utilizado para o verbo visualizar, temos uma espécie de achatamento entre o que vemos e a precipitação no ato.

Encontramo-nos impelidos sempre a uma resposta, como se ela pudesse ser automática.

Não há o tempo de pensar, de refletir, de analisar.

O novo sentido do verbo passa a ter ares de indiferença, pois é um olhar apressado, quase desinteressado.

Podemos deixar de ver, de compreender e concluir, diante das dores alheias, diante do mundo que pulsa a nossa volta e pede ajuda.

Podemos começar a apenas visualizar nossos amores, suas falas e dificuldades.

Podemos começar a simplesmente visualizar o mundo, ao invés de fazer parte dele ativamente.

*   *   *

Em tempos em que se contam e comemoram visualizações, é fundamental lembrar que relações saudáveis exigem atenção e tato, exigem dedicação e tempo.

Precisamos nos dar e dar ao outro o tempo de compreender e concluir. Decisões e respostas apressadas trazem consequências graves e, muitas vezes, irreversíveis.

Aceitamos com facilidade as demandas urgentes de um mundo agitado e impaciente. Está na hora de reassumirmos o controle de tudo, com calma, análise e profundidade.


Redação do Momento Espírita, com base em palestra
proferida pela psicanalista Julieta Jerusalinki, no
Programa Café Filosófico, em março de 2018.
Em 17.5.2019

quinta-feira, 16 de maio de 2019

FALTA AMAR...



Um vídeo circulou pelas redes sociais. Mostrava algo bastante singelo e valioso: filhos adolescentes, jovens, ligando para seus pais para dizer simplesmente: Eu te amo.

Eram ligações de celular, inesperadas, a qualquer hora do dia. O pai ou a mãe atendiam, ouviam um Olá e logo depois: Pai, mãe, eu queria dizer que te amo. Só liguei para dizer isso.

As reações foram belíssimas. Pais dizendo: Puxa, como é bom ouvir isso. Eu também te amo, meu filho.

E do lado de cá, de quem estava fazendo as chamadas, da mesma forma: lágrimas de emoção de jovens que, raramente, ou nunca haviam proferido tais palavras.

Como se o simples contato com essas palavras mágicas, quando verdadeiramente sentidas, já provocasse neles algum tipo de transformação.

Muitos podem dizer que o amor está subentendido, está nos gestos, na companhia diária, não exige provas. E que talvez não precise ser declarado.

Muitos temem ser pieguismo expressar-se dessa forma. Será?

Banalizamos o Eu te amo, é certo, recitando-o da boca para fora muitas vezes, automaticamente.

As paixões avassaladoras e efêmeras se apropriaram dele, tornando-o menor, pois da mesma forma que o amor nasce, voraz, também morre, triste, pouco tempo depois em relações vazias.

O Eu te amo dos altares enfeitados, das grandes festas, não sobrevive às primeiras intempéries de muitos casamentos.

Esse amor das infinitas canções, das belas obras, mas também das puramente sentimentalistas, que nada acrescentam para a verdadeira arte.

Curioso. O Eu te amo foi dito tantas vezes que parece ter enfraquecido pelo mundo afora, praticamente caindo no esquecimento.

*   *   *

Não falta amor nos poemas, nas músicas, nas bocas. Falta, sim, amar.

Não falta amor nos lares, nas famílias: falta amar.

Não falta amor nos pensamentos, nas ideias: falta amar.

Não falta amor nas potências de nossa alma. Falta, sim, o movimento do amar.

E muitas vezes, a expressão pura e simples desse amor já é grande parte desse amar.

Quando verdadeiramente sentimos dentro de nós essa afeição profunda, esse querer bem, essa consciência do quão importante é aquela pessoa, nada mais natural do que dizer, do que extravasar.

Bom para quem diz, pois se encharca de suas vibrações benfazejas e revigorantes.

Bom para quem ouve, pois recebe muito mais que palavras. Recebe o conforto, o aconchego e a gratidão que tal declaração guarda em si.

Ouvir um Eu te amo de verdade, é como ser levado pelas mãos a um passeio, uma viagem para um mundo melhor, de menos preocupações e sofrimentos, um refrigério para a alma em luta na Terra.

Voltamos renovados, dispostos a seguir adiante e mais, voltamos conhecendo o amor um pouco melhor.

Ainda sabemos pouco do amor em sua profundidade. Estamos dando os primeiros passos depois de deixar o primitivismo necessário.

Falta amar para encontrá-lo e permanecer nele por mais tempo.

Falta amar para podermos declará-lo sem medo de pieguismos empobrecedores.

Falta apenas amar, nada mais.


Redação do Momento Espírita.
Em 15.5.2019

sexta-feira, 10 de maio de 2019

O QUE NOSSO FILHO PODE FAZER



Muito se discute, na atualidade, sobre a autoestima das crianças. Como trabalhá-la, como criar filhos confiantes e conhecedores do que são capazes de fazer e de ser.

A criança não se conhece. Enquanto nós, adultos, já somos habilitados para realizar a viagem do autodescobrimento, elas ainda não têm instrumentos suficientes para isso.

São Espíritos reencarnados, trazem tendências e potencialidades. Por isso, necessitam de todo auxílio possível para se descobrirem.

Somos nós, os pais, educadores ou responsáveis, que podemos lhes proporcionar essa instrumentalização de grande importância.

Ensiná-los a perceber seus sentimentos e emoções diante de cada situação e trabalhá-los, sem medo.

Reprimir, esconder são mecanismos que trazem prejuízos enormes para seu desenvolvimento.

Os que estão mais próximos serão aqueles que poderão enxergar além da casca, além do que se vê por fora. São esses que auxiliarão cada criança a perceber-se como autor de seu próprio destino, que pode ser muito feliz.

Vejamos um exemplo: Rebeca traz para casa uma prova de matemática. Vinte e sete problemas foram respondidos corretamente, mas três não.

O que faz seu pai? Censura os três problemas errados.

Se lhe perguntarmos porque faz isso, ele dirá:

Quero que saiba o que estava errado para não cometer os mesmos erros outra vez!

A intenção é boa, mas a menina acaba por não ouvir nem um comentário sobre os vinte e sete problemas que acertou!

Esse é um comportamento comum de muitos de nós, enquanto pais e educadores.

Em coisas pequenas, nos esquecemos de focalizar os dotes excepcionais de cada criança.

Destacamos aquilo que ela não tem e quando voltamos a nossa atenção para as deficiências dela, o amor pode se perder.

*   *   *

Se ao nosso filho falta confiança em si mesmo, procuremos ver o que ele pode fazer, quais as suas habilidades, os seus potenciais.

Mencionemos tudo que ele consegue fazer e deixemos de focalizar o que ainda não consegue.

Seu senso de sucesso – vitória – é a chave para que acredite em si mesmo.

Isso estimula sua convicção de que tem alguma coisa a oferecer, levando-o a novos esforços.

Jamais, porém, criemos imagens falsas, distorcidas, do que ele é. Por vezes, na ânsia de sermos amados por nossos filhos, os colocamos em patamares ilusórios.

Nossos filhos não são maravilhosos em tudo. Se eles se enxergarem assim, com essa lente distorcida, terão problemas, com certeza.

O autodescobrimento, quando bem realizado, equilibra todas as percepções. Ao mesmo tempo que valoriza as potencialidades, os recursos de que a criança dispõe, refletem sobre o que pode fazer para melhorar em cada área.

Assim, atuemos com uma observação profunda, um tato repleto de amorosidade e utilizando toda nossa experiência de vida e nosso próprio autoconhecimento.

Assumimos essa responsabilidade valorosa perante o Criador. Dediquemo-nos a ela com seriedade e amor.


Redação do Momento Espírita, com base
em trecho do livro A autoestima de seu filho,
de Dorothy Corkille Briggs, ed. Martins Fontes.
Em 9.5.2019

domingo, 5 de maio de 2019

MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV


"As cores são modulações da luz e, através delas, manifestam-se entidades que trabalham nas pedras, nas plantas, nos animais e nos humanos. Aqueles que se concentram nas cores conseguem torná-las vivas em si próprios: elas ajudam-nos a desenvolverem as virtudes a que estão ligadas e apoiam-nos nos seus esforços.
Para entrardes em contacto com o mundo espiritual, pensai em servir-vos dos meios que a Natureza vos oferece. As cores são um desses meios. Escolhei o azul, por exemplo, que é a cor da paz e da verdade. De vez em quando, mergulhai nela. Imaginai que estais rodeados de raios azuis, senti que eles penetram em vós: pouco a pouco, sereis invadidos por uma paz imensa. Nessa paz profunda, o vosso coração e o vosso intelecto silenciar-se-ão finalmente, libertar-vos-eis das cobiças, dos preconceitos, e vereis tudo com maior clareza. O Céu vem refletir-se na vossa alma como na superfície imóvel de um lago e, nesse ambiente de paz, contemplareis a verdade."

"A vida transmite-se e perpetua-se pelos órgãos genitais. É preciso estudar com que ciência, com que sabedoria, estes órgãos foram criados, e respeitá-los. Ora, eles são os menos respeitados: os puritanos falam deles com repulsa, os depravados abusam deles, os humoristas e as pessoas grosseiras fazem deles tema para graçolas, e a maior parte dos homens e das mulheres vê neles apenas uma fonte de gozo.
A Ciência Iniciática ensina-nos que a energia que se manifesta através dos órgãos genitais desce das regiões celestes. Ora, como ela desce das regiões celestes, os humanos devem questionar-se sobre a maneira como utilizam os órgãos por intermédio dos quais ela se manifesta. Devem mesmo consagrá-los à Divindade, para que, em vez de apenas os atravessar e depois se perder, esta energia cósmica do amor tome o caminho ascendente e vivifique todas as células do seu organismo, até ao cérebro. Enquanto eles se limitarem a senti-la como uma grande tensão de que têm pressa de se libertar, privar-se-ão de toda a alegria e também de todo o saber e todo o poder que o amor poderia proporcionar-lhes. "

"Existem dois métodos para evoluir: o amor e a sabedoria. Se encontrardes seres que têm estas virtudes que vós mesmos ainda não soubestes desenvolver bem, em vez de os evitardes, por terdes a impressão de que vos fazem sombra, aproximai-vos deles e observai como agem: aprendereis muito. Há pessoas que não suportam a superioridade moral e espiritual de certos seres e têm, relativamente a eles, uma mistura de sentimentos negativos: a irritação, a revolta… Mas estes sentimentos não as ajudam, mantêm-nas estagnadas.
Só o amor e a sabedoria podem ajudar-nos a evoluir rapidamente. Aquele que teme que outros o ultrapassem ou tem ciúmes de quem o ultrapassou revela, simplesmente, que não tem amor nem sabedoria. Os seres que têm amor e sabedoria nunca ficam inquietos ou ciumentos, porque se sentem ricos. Que razões tem o rico para se sentir invejoso? Só o pobre pode ser invejoso, porque sente que não tem recursos. Mas, evidentemente, eu refiro-me à riqueza e à pobreza espirituais."

"Transmitir a vida é uma enorme responsabilidade. Por isso, antes de conceberem um filho, os homens e as mulheres devem refletir e, sobretudo, preparar-se, estando bem conscientes de que gerar um filho não se limita a acrescentar um habitante ao planeta. Com os seus estados interiores, os pais atraem a alma de um benfeitor da humanidade, ou a de um medíocre que nada trará aos outros, ou, pior ainda, a de um criminoso.
«E se não tivermos filhos, se não formos pais ou mães?», perguntareis vós. Ficai a saber que há outras maneiras de gerar filhos, noutros planos. Quando assistis ao nascer do Sol, compenetrai-vos da importância daquilo que lá ides fazer e do objetivo com que o fazeis. O Sol é como o pai que deposita os germes nos corações e nas almas, e, então, cada um torna-se uma mãe. Se receberdes esses germes com respeito e amor, os filhos que nascerão chamar-se-ão “clareza”, “força”, “inspiração”. São estes os filhos que o pai cósmico, o Sol, pode fazer nascer nos corações e nas almas."

"Se compararmos o homem com o animal, ficaremos surpreendidos ao ver com que rapidez o animalzinho se desenvolve e adquire autonomia, ao passo que os filhos dos humanos se desenvolvem muito lentamente. Esta lentidão deve-se à extrema complexidade e à grande riqueza da natureza humana. Há tantos mecanismos que têm de começar a funcionar, fisicamente e, sobretudo, psiquicamente, para que as crianças fiquem na posse de todas as suas faculdades! Até chegarem a esse ponto, elas precisam da ajuda e da proteção dos pais.
Mas a evolução dos humanos não para no momento em que o seu pai ou a sua mãe terrestres cumpriram o seu papel, pois um ser humano é também uma entidade espiritual que deve progredir sempre mais. É por isso que, mesmo quando atinge a idade adulta, espiritualmente ele é ainda como uma criança que necessita dos seus pais: o Pai Celeste e a Mãe Divina. Quaisquer que sejam o seu saber e a sua experiência, todos devem continuar a ter um coração de criança, simples, espontâneo, aberto, cheio de confiança nos seus pais celestes, para receberem a sua ajuda e os seus conselhos."

"Quando os humanos, em particular os crentes, falam do diabo, nem sempre sabem a que realidade cósmica e psíquica ele corresponde. Em primeiro lugar, o diabo não existe enquanto entidade que se opõe a Deus como seu igual, e muitos daqueles que afirmam que ele lhes apareceu apenas o imaginaram. Tal como existem espíritos da luz, existem espíritos das trevas. É a esta coletividade de espíritos tenebrosos que se chama “diabo”, e esta entidade coletiva é alimentada, reforçada, pelos maus pensamentos, pelos maus sentimentos e pelos maus atos dos humanos.
Também se pode dizer que o diabo é uma parte do próprio ser humano: o seu eu inferior, que ele, ao longo das incarnações, foi sempre alimentando com as suas fraquezas e os seus vícios. Mas também existe nele uma entidade luminosa, o seu Eu superior, que ele formou graças a pensamentos, a sentimentos e a atos inspirados pela bondade, pela generosidade, pelo amor, pelo sacrifício. Durante toda a sua vida, o ser humano é impelido simultaneamente pelo seu eu inferior e pelo seu Eu superior, e cabe-lhe decidir qual dos dois quer ver manifestar-se."

"Considerar que a comunhão só se celebra numa igreja ou num templo é limitar o seu sentido. É preciso atribuir a este ato um sentido mais amplo, mais vasto, pois a comunhão é condição para a própria vida. Comungar também é comer, beber e, ainda, respirar, caminhar, olhar, escutar, amar, trabalhar e procurar entrar continuamente em relação com todas as criaturas e todas as forças vivas da Natureza.
Todos os atos da vida quotidiana podem tornar-se, para nós, ocasiões para vivermos estados de consciência magníficos que são formas de comunhão. São mesmo todas estas formas de comunhão magníficas que depois dão sentido à comunhão dos cristãos. No dia em que compreendermos a comunhão na sua verdadeira dimensão, a dimensão cósmica, sentiremos circular, em todas as regiões do nosso ser, correntes de energias abundantes e puras, e saberemos o que é a vida eterna, que não tem começo nem fim."

"Os humanos não têm grande necessidade de que uma religião ou um ensinamento espiritual lhes imponha artigos de fé. Eles precisam sobretudo de métodos que os farão descobrir o registo vivo que Deus deixou neles. Felizmente, este registo existe em todos! É ele que, quando eles procuram verdadeiramente, lhes permite encontrar no seu coração, na sua alma, o que as religiões nem sempre lhes revelam. Porquê? Porque muitos daqueles que as representam estão mais preocupados em assegurar o seu poder do que em esclarecer os fiéis, mesmo que digam que os conduzem para a salvação.
Como compreender o que é este registo deixado por Deus? Como foi Ele que nos criou, marcou-nos com o seu selo, impregnou-nos com a sua quinta-essência, deixou em nós traços fluídicos, assim como uma imensa rede de filamentos que nos ligam a Ele e graças aos quais, se nos esforçarmos por procurá-l’O, descobriremos a sua presença."

"Como todos os seres excecionais, um Iniciado é inevitavelmente incompreendido, combatido e até traído. Mas ele sabe que, para superar estas provações, não deve defender-se com armas vulgares. Esforça-se somente por viver uma vida pura, luminosa, irradiante, e essa vida não só age como uma camada protetora, mas também faz com que o mal retorne àquele que o enviou. Ele só tem uma coisa a fazer: elevar-se até às regiões celestes para viver cada vez mais na luz.
É este o modelo que deveis seguir quando sois injustamente atacados. Afastai-vos o mais possível dos vossos adversários. Quando o Céu vir que não vos comportais como eles, é possível que envie outras pessoas para agirem em vosso lugar e restabelecerem a situação. Vós, continuai apenas a tornar a vossa vida mais ampla, mais bela, mais rica e mais luminosa."

"Raras são as religiões que não estimularam nos seus adeptos o gosto pelo martírio. Mas maltratar e mutilar o seu corpo, ou expor a sua vida, são maneiras de se oferecer em sacrifício à Divindade que agora devem ser abandonadas.
O verdadeiro sacrifício está no amor desinteressado por todos os humanos. Aquele que compreendeu o sentido e o poder do amor não necessita de infligir sofrimentos a si próprio: há imensos irmãos e irmãs seus que vivem na desgraça e ele pode partilhar dessas desgraças! Os obstáculos que encontrará nos seus esforços para os ajudar proporcionar-lhe-ão tantas ocasiões para sofrer! Mas, perante esses sofrimentos, ele nunca deve recuar: eles é que o tornarão grande e nobre."

"Não temos de esperar pelo fim dos tempos para sair do túmulo e ressuscitar. Para ressuscitarmos, devemos somente trabalhar em cada dia para vencermos todas as nossas fraquezas. Este trabalho reflete-se nas células do nosso corpo, purifica-as, ilumina-as, vivifica-as. É o movimento vibratório cada vez mais intenso que, pouco a pouco, se transmite a todas as nossas células e prepara a nossa ressurreição.
Se os humanos soubessem o número de túmulos que transportam em si! Esses túmulos são todas as células que eles devem regenerar, aprendendo a alimentar-se de elementos da vida espiritual. Então, um a um, os túmulos abrem-se e uma quantidade de alminhas que pareciam estar mortas, mas que, na realidade, estavam adormecidas, começa a sair. Observam-se fenómenos análogos por toda a Natureza. Uma semente é um túmulo onde a vida está encerrada até ao momento em que o Anjo da primavera vem bater-lhe à porta para a fazer sair. O mesmo se passa com a casca de onde sai o pintainho. Os ovos que é costume oferecer na Páscoa simbolizam precisamente a promessa de uma vida nova."

"Na primavera, toda a Natureza ressuscita. Mas a ressurreição é também um processo ininterrupto que ocorre na alma daquele que faz sobre si mesmo um trabalho consciente, esclarecido, orientado para um objetivo divino. E um tal processo começa necessariamente pela cabeça. Isto significa que, se pusermos no centro da nossa vida uma ideia muito elevada e a mantivermos firmemente, essa ideia atrairá dos planos subtis as partículas etéricas que lhe correspondem, partículas inoxidáveis como o ouro, transparentes como o cristal.
O essencial é, pois, começar por uma ideia. Mas também pode ser uma imagem que concretiza essa ideia, como a imagem do Sol. Se puserdes em vós a imagem do Sol, que é luz, calor e vida, já estareis a avançar pelo caminho da ressurreição. Mantende-a firmemente, alimentai-a, amai-a, e ela fará o seu trabalho. A ressurreição é o Sol que começa a manifestar-se no homem, o verdadeiro Sol, que introduz nele uma quinta-essência da sua própria natureza, um fermento."

"Quando o homem adormece, a sua alma afasta-se do corpo físico para ir mergulhar na Alma Universal. Durante este repouso do corpo, processa-se nele todo um trabalho de limpeza, de purificação. A alma deixa o corpo físico, mas permanece conectada com ele por ligações subtis chamadas “fio de prata”. Quando ele volta, encontra a casa, digamos, varrida, limpa, lavada, e pode retomar o seu trabalho.
Se a alma não saísse do corpo, o homem morreria asfixiado, envenenado, porque não se poderia fazer a limpeza nele. Perguntais-vos de onde vêm essas toxinas, esses venenos… Surgem, muito simplesmente, porque a vida é uma combustão. Todas as atividades físicas, afetivas, mentais, que designamos por “vida”, produzem forças, mas também deixam resíduos, que demoram um certo tempo a eliminar. Por isso, é necessário que a alma se afaste para que a limpeza possa ocorrer. O sono é, pois, a solução que a Inteligência Cósmica encontrou para podermos continuar a viver."

"Podemos comparar os humanos a árvores de fruto: as condições em que eles estão colocados representam o solo no qual devem crescer, florir e dar frutos. Muitos seres, depois de terem estado sujeitos a grandes provações e pensado que não conseguiriam sobreviver-lhes, reconheceram que essas provações os tinham tornado, podemos dizer, mais “produtivos”, pois foram obrigados não só a procurar recursos em si próprios, mas também a aprender a utilizá-los.
Mais do que queixar-se das condições difíceis, mais do que querer, a qualquer preço, alterá-las ou esperar que melhorem, é sobre si mesmo que se deve começar por trabalhar: cavar profundamente em si para encontrar elementos, forças, virtudes, graças aos quais se produzirá os frutos mais suculentos."

"Contrariamente a uma teoria muito divulgada e aceite, o homem não descende do macaco nem de qualquer outro animal! Quando a crosta terrestre se solidificou, há milhares de milhões de anos, apareceram as plantas, depois os animais e, finalmente, o homem. Da planta até ao homem houve, de facto, evolução, mas só uma evolução das formas. Quando apareceu uma forma conveniente para ele, o espírito humano desceu a essa forma. Exatamente como um proprietário vem tomar posse da casa que acabaram de lhe construir. Não é a casa que gera o proprietário, ele não sai das paredes! Vem de fora e só se instala quando a casa está pronta.
Do mesmo modo, quando o espírito encontrou um corpo capaz de o receber e condições para se manifestar por intermédio desse corpo, desceu das regiões celestes e, desde há milhões de anos, não para de descer. Foi necessária, pois, uma evolução das formas para que pudesse ocorrer a involução do espírito."

"Por vezes, perguntais se é assim tão importante impor a si próprio uma disciplina de vida para atingir um nível de consciência mais elevado e desenvolver o autodomínio, a sabedoria, a bondade. É tão demorado e difícil! Evidentemente, pode-se viver na terra sem impor a si próprio tantos esforços. Quase todos os dias se vê que é possível viver na terra mais ou menos de qualquer maneira. Mas a questão é esta: em que “terra” se vive? Para vivermos na terra da nossa alma, essa região onde reina uma eterna primavera, devemos alimentar os nossos corpos espirituais.
Na terra onde vivemos atualmente, é impossível escapar ao inverno, com o frio, as nuvens, a chuva. Mas, pelo pensamento, podemos elevar-nos até à região dessa primavera eterna. E, quando conseguirmos reunir-nos ao nosso Eu superior, já nada virá interpor-se entre nós e o Sol divino, seremos continuamente iluminados, aquecidos, vivificados."

"Todas as criaturas precisam de se alimentar para subsistirem, mas depois têm de eliminar os elementos que não são úteis ao seu organismo. Portanto, qualquer que seja a qualidade daquilo que elas absorvem, há resíduos que têm de evacuar e que vão para lugares previstos para isso. Estes processos existem em todos os planos e em todos os níveis da Criação. Assim, o Inferno – de que a cristandade tanto falou ao longo de séculos e que retratou com formas e cores aterradoras – é, na realidade, o lugar onde é despejado “o mal”, ou seja, os resíduos, as matérias impuras produzidas e eliminadas por todas as criaturas do Universo.
Mas, depois de eliminadas, essas matérias não são abandonadas e esquecidas. Há entidades poderosas que descem a esse depósito para aí recolherem elementos que reutilizarão nos seus trabalhos. Aquilo a que hoje chamamos “reciclagem” sempre foi praticado pela Natureza: ela envia os materiais poluídos para a “estação de tratamento”, pois para ela nada deve ficar sem utilização."

"Muitos médicos pensam que, para exercerem o seu ofício, lhes basta usarem conhecimentos adquiridos em livros – abordam os pacientes exatamente como os mecânicos abordam um automóvel avariado – e os seus tratamentos terão certamente alguma eficácia. Mas há médicos com uma bondade e uma compaixão tão grandes que todo o seu comportamento é impregnado por eles. Então, quando estão junto dos seus pacientes, o que emana do seu olhar, da sua voz, do seu aperto de mão, desperta no coração e na alma desses pacientes poderes que vão agir de modo impercetível nos seus corpos psíquicos e produzir, mesmo no seu corpo físico, efeitos tão benéficos como um medicamento.
Em todos os domínios da existência, é possível constatar que o que emana do mais profundo dos seres influencia a matéria psíquica à sua volta e, por consequência, o comportamento daqueles com quem eles se relacionam. Vós mesmos pudestes constatar isso. Não há seres com quem gostais mais de vos relacionar, porque, simplesmente ao contactardes com eles, tendes a impressão de que vos tornais melhores, mais inteligentes, mais confiantes na existência, e até fisicamente vos sentis melhor?"