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domingo, 10 de novembro de 2019

OUVINDO O SILÊNCIO



Alguns de nós não apreciamos permanecer em silêncio. Se não temos com quem conversar, se a casa está quieta, ligamos a TV, simplesmente para ouvir algo.

Algo que, em verdade, nem prestamos atenção. É para ter ruído

É comum entabularmos conversas no ponto de ônibus, na fila do mercado, na sala de espera de um consultório. Tudo para ter ruído ao nosso redor.

Parece que o silêncio nos incomoda. Chegamos a dizer: Não gosto de silêncio.

E, no entanto, o silêncio se faz necessário para a mente como o sono se faz necessário para o corpo.

Todos precisamos de calmaria, em algum momento. Diminuir os ruídos de fora, darmos um descanso aos ouvidos, à mente.

Afinal, vivemos em meio a tanto barulho: gente falando, veículos buzinando, tráfego intenso, propaganda de alto-falantes, maquinaria barulhenta, música agitada.

Se andamos pela cidade, tudo parece se misturar às vozes das próprias pessoas. E se transforma num imenso barulho, constante, incessante.

Se entrarmos em uma sala onde se aguarda um espetáculo, e pararmos, ouviremos uma grande confusão de vozes de tantos que falam uns com os outros, todos ao mesmo tempo.

Diminuir o volume do mundo é um convite para contemplar a vida ao nosso redor.

Se desligarmos a TV, o rádio, se não falarmos, começaremos a mergulhar no silêncio.

E ouviremos tantas coisas que, habitualmente, não ouvimos. Por exemplo, o delicado farfalhar das folhas no jardim, quando os dedos da brisa as tocam.

O pio de um passarinho que descansa no galho da árvore fronteiriça, os primeiros e hesitantes pingos da chuva calma que se avizinha e mergulha na terra.

O murmúrio da terra sorvendo gota a gota...

Depois, o tamborilar da chuva na janela, o som da nossa respiração, o bater ritmado do coração.

Quantas coisas para ouvir no silêncio que, em verdade, é cheio de sons surpreendentes.

Se a noite for de estrelas, poderemos ouvir ainda outros tantos sons que se manifestam: o pio da coruja, um cão que late ao longe.

Ruídos da noite que se aconchega para dormir. Encantadores, quase sempre despercebidos por nós.

Finalmente, ouvir os nossos próprios pensamentos. Quantos deles dão conta da nossa agitação constante. Precisamos parar, silenciar, pensar.

Selecionar pensamentos e desprezar aqueles que somente nos causam aflição e desconforto.

Ouvir nossa alma, sedenta de tranquilidade. Nossa alma que deseja beber do silêncio para se extasiar com a harmonia de si mesma.

Silêncio para orar. E para ouvir a resposta, vinda dos céus.

Silêncio para pensar no milagre da vida, que se reprisa a cada dia e se perpetua, através dos séculos.

Silêncio para ler, pausadamente, um livro que repousa, há bastante tempo, sobre a estante.

E se extasiar com o mergulho nas letras, que nos conduzem a um mundo de formas, ações, aprendizado.

Silêncio, irmão da paz, nos permite nos movermos sem pressa e a respirarmos com calma.

Logo mais, as horas despertarão e tudo recomeçará, mas nossos ouvidos estarão descansados pelo período de calmaria e nossa mente mais ágil, após o período de descanso.

Pensemos nisso e periodicamente aprendamos a fazer silêncio e a ouvir o silêncio!


Redação do Momento Espírita.
Em 8.11.2019

domingo, 3 de novembro de 2019

MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV



"Todos os meses, nós vemos a Lua crescer e decrescer no céu. Tal como ela, a nossa consciência ilumina-se e obscurece-se, enche-se e esvazia-se. Nós estamos submetidos às mesmas alternâncias que a Natureza, por isso devemos estar conscientes da época em que cada fenómeno pode ocorrer. Suponhamos que se aproxima um período difícil: se não o sentirdes, assumireis compromissos imprudentemente; então, quando chega o momento de agir, já não tendes inspiração nem gosto e sois malsucedidos naquilo que empreendestes. Poderíeis ter evitado esse insucesso se tivésseis sabido prever que viria inevitavelmente o período em que não conseguiríeis ver tão claro, pois todos os erros são cometidos nas trevas, quando a consciência se obscureceu.
Em vós, tal como fora de vós, não podeis escapar a esta alternância entre o dia e a noite, a claridade e a escuridão. Mas, se aprenderdes a observar-vos, descobrireis, em cada circunstância, sinais precursores que vos avisarão de que se aproxima o período de escuridão. Então, estai vigilantes! Preparai os elementos espirituais que continuarão a alimentar a luz em vós."

"No plano físico, os quatro elementos têm a propriedade de se reforçar mutuamente ou de se neutralizar. O ar atrai o fogo ou apaga-o. A água também apaga o fogo, mas o fogo pode transformá-la em vapor. A terra, essa, absorve a água.
Encontramos o equivalente a estes fenómenos no plano psíquico. Eu indiquei-vos exercícios para fazerdes com a terra, pois, no plano psíquico, a terra também tem o poder de absorver as correntes más, que são comparáveis à água. Quando vos sentis perturbados, irritados, podeis fazer um pequeno buraco na terra, colocar nele um dedo e pedir às entidades que trabalham nas suas entranhas que absorvam esses estados negativos. As mudanças que, atualmente, ocorrem na sociedade fazem com que os humanos estejam cada vez menos em contacto com a terra; é pena, pois esses contactos são sempre benéficos para o psiquismo. Em diversas ocasiões, aconselhei pessoas que sofriam de angústia, de obsessões, a trabalharem a terra. Cavar, abrir buracos, tirar ervas ou plantar são atividades que podem ser praticadas como uma terapia."

"Muitos investigadores reconhecem que encontraram durante o sono a solução para problemas que os preocupavam. Com efeito, durante o sono a alma viaja e entra em contacto com outros mundos. Quando se ouve falar em pesquisas científicas, imagina-se somente pessoas em laboratórios, ocupadas a manipular aparelhos e a encher páginas inteiras com cálculos. É verdade que elas manipulam aparelhos e fazem muitos cálculos, mas, se se estudasse bem o seu caso, perceber-se-ia que, muitas vezes, o seu inconsciente participa muito nas suas descobertas.
Por vezes, a constância de certos investigadores e a intensidade dos seus esforços põem-nos em estados próximos do desdobramento; eles são projetados para regiões desconhecidas de que não têm a menor ideia e é por isso que, no momento em que menos esperam, têm um “flash” e surge-lhes a solução. Isso pode ocorrer durante o sono. Então, de súbito, eles despertam, anotam rapidamente qualquer coisa e adormecem de novo; no dia seguinte, dificilmente se recordam do que lhes aconteceu. Também vós, se souberdes preparar-vos para o sono, podereis ter certas revelações."

"Só a fusão, a união, o êxtase, permitem ao homem conhecer Deus. Para esclarecermos este processo pelo qual um ser humano se funde com a Divindade, podemos utilizar o símbolo do hexagrama.
 Esta figura geométrica, a que a ciência espiritual chama o selo de Salomão, é constituída por dois triângulos equiláteros entrelaçados, um com a ponta virada para cima e o outro com a ponta virada para baixo. Estes dois triângulos representam os dois processos universais “evolução” e involução”: a evolução da matéria que se dirige para o espírito (o triângulo com a ponta virada para cima) e a involução do espírito que desce à matéria para a visitar (o triângulo com a ponta virada para baixo). Estas duas figuras ensinam-nos como podemos elevar-nos até à Divindade para nos fundirmos nela e que, ao mesmo tempo que nos elevamos, ocorre um movimento inverso, a Divindade desce para viver e se manifestar em nós."

"Aquele que trabalha para o bem da coletividade torna-se um obreiro no campo do Senhor. Os espíritos luminosos aproximam-se dele para o marcar com o seu selo. Depois de ter sido marcado, é como se ele tivesse sido inscrito num registo: junto ao seu nome, é anotado o que lhe é devido e todos os dias ele recebe uma “encomenda”, a que também podemos chamar “salário”. Este salário assume diversas formas: força para o espírito, dilatação para a alma, luz para o intelecto, calor para o coração, saúde para o corpo físico.
Podemos usar outra imagem e dizer que ele está ligado a uma central elétrica: pelos fios subtis que o ligam a essa central, descem correntes que nele penetram e ativam os seus aparelhos psíquicos e espirituais. Numa casa, quando se liga qualquer aparelho a uma tomada elétrica, ele começa a funcionar. Acontece o mesmo no ser humano. Um ser humano possui tantos emissores e recetores nos seus diferentes corpos! Se ele tiver o cuidado de os manter em bom estado de funcionamento, quando a corrente celeste aí penetrar, despertará e começará a circular nele uma vida completamente nova."

"A Terra é uma escola, um centro de aprendizagem onde nós descemos por várias razões, principalmente para pagarmos dívidas que, por causa dos nossos erros, contraímos nas encarnações anteriores. Também temos de compreender as condições que nos foram dadas para esta existência e, finalmente, devemos procurar aperfeiçoar-nos em todos os domínios.
A maior parte dos humanos, que não sabem porque estão na Terra, limitam-se a procurar tudo o que pode garantir-lhes o bem-estar, satisfazer os seus desejos. Mas aqueles que são esclarecidos sabem que estão aqui para reparar os erros que cometeram nas suas vidas anteriores. Procuram também compreender porque encarnaram em determinado país e em determinada família, e o que é que essa situação exige deles. Finalmente, esforçam-se por desenvolver todas as sementes de qualidades e virtudes que o Criador depositou neles desde o começo. Uma Escola Iniciática é tão indispensável por isto: não há nada acima do esclarecimento que ela proporciona ao discípulo sobre o sentido da sua vida terrestre."

"Os exercícios espirituais, tais como a oração e a meditação, são formas de comunhão. Contudo, nem toda a gente tem o tempo, as condições ou mesmo o gosto e os dons para a prática espiritual. Mas todos têm de comer diariamente. É possível, pois, começar por aprender a comungar durante as refeições, tendo mais consideração pelos alimentos.
O que é comungar? Fazer uma troca: vós recebeis uma coisa e dais outra. Se não derdes nada, não será uma verdadeira comunhão. A verdadeira comunhão é uma troca divina. Se, em troca daquilo que os alimentos vos dão, lhes derdes a vossa atenção, o vosso amor, eles transformar-se-ão em vós não só em energias físicas, mas também em energias psíquicas e espirituais, pois estabelecereis uma relação com a própria Natureza, que é o corpo de Deus. Se, quando ides começar a comer, tomardes consciência de que Deus pôs a sua vida nos alimentos, as células do vosso corpo receberão, por vosso intermédio, a verdadeira comunhão, isto é, um elemento espiritual que as ajudará no seu trabalho para o bem de todo o vosso organismo."

"Todos sabem como é importante estar atento, mas a atenção tem vários aspetos. O mais conhecido consiste no foco continuado que é necessário para fazermos corretamente o nosso trabalho, compreendermos o que nos dizem, estudarmos, etc. Mas existe também uma outra forma de atenção, que se chama “auto-observação”. Ela consiste em tomarmos consciência, em cada momento do dia, daquilo que se passa em nós, em discernirmos as correntes, os desejos e os pensamentos que nos atravessam, as influências e os impulsos que sentimos. É esta atenção que não está suficientemente desenvolvida.
Se fordes visitados por pensamentos e sentimentos que vos tiram o ânimo, a confiança, a alegria, é porque não estais atentos, vigilantes. E o que reduz a vigilância é o gosto pela facilidade, pelos prazeres. Com efeito, como se pode estar vigilante quando só se tem vontade de ir atrás daquilo que é fácil e agradável? É como uma humidade que se deposita nas asas da alma e a impede de voar. E, quando a vossa alma já não consegue voar, qualquer entidade tenebrosa do mundo invisível pode tomar posse dela e tirar-vos a paz, a alegria, a esperança."


"Só a fusão, a união, o êxtase, permitem ao homem conhecer Deus. Para esclarecermos este processo pelo qual um ser humano se funde com a Divindade, podemos utilizar o símbolo do hexagrama.
 Esta figura geométrica, a que a ciência espiritual chama o selo de Salomão, é constituída por dois triângulos equiláteros entrelaçados, um com a ponta virada para cima e o outro com a ponta virada para baixo. Estes dois triângulos representam os dois processos universais “evolução” e involução”: a evolução da matéria que se dirige para o espírito (o triângulo com a ponta virada para cima) e a involução do espírito que desce à matéria para a visitar (o triângulo com a ponta virada para baixo). Estas duas figuras ensinam-nos como podemos elevar-nos até à Divindade para nos fundirmos nela e que, ao mesmo tempo que nos elevamos, ocorre um movimento inverso, a Divindade desce para viver e se manifestar em nós."

" Na época em que as pessoas se alumiavam usando candeeiros a petróleo, era necessário limpar frequentemente a chaminé de vidro para fazer desaparecer a camada de fumo que nela se depositara. Senão, mesmo que a mecha estivesse acesa, a iluminação era insuficiente. Depois, felizmente, surgiu a eletricidade.
Porque é que eu estou a falar-vos do candeeiro a petróleo? Porque o ser humano também é uma espécie de candeeiro. Se ele alimenta a sua chama com petróleo, ou seja, se se deixa ir atrás de sentimentos grosseiros, vulgares, estes depositam-se como fumo, como fuligem, no seu corpo astral, e a luz nele, os raios do seu Eu superior, não podem atravessar essa camada opaca. Um tal ser permanece na escuridão, cego para o mundo divino, até ao dia em que aprender a usar melhores combustíveis, sentimentos que não deixam qualquer impureza. Os Iniciados, os sábios, veem coisas que os outros não conseguem ver porque trabalharam durante muito tempo para tornar transparente a sua matéria psíquica: o seu Eu superior, cujos raios se projetam ao longe, torna visível para eles todo um mundo subtil."

"Para se viver a vida espiritual, é preciso ter o espírito livre. Ora, é difícil ter o espírito livre quando se possui uma grande fortuna que é preciso preservar... e até aumentar! Sem falar das tentações que isso representa. Como renunciar aos prazeres quando se tem tantos meios para satisfazer os seus apetites?
Mas, para viver a vida espiritual, não basta abandonar as suas posses. De nada serve alguém renunciar aos bens materiais, se não se libertar também dos pensamentos, dos sentimentos e dos desejos que obscurecem o seu olhar interior. Aqueles que ignoram o que é a verdadeira espiritualidade podem imaginar que, abandonando os seus bens materiais, encontrarão a salvação. Então, fogem da sociedade para se refugiarem em mosteiros ou noutros lugares... Mas só encontram o vazio. E até pior: privados de todas as atividades e distrações que o mundo exterior proporciona, em vez de encontrarem presenças luminosas, são confrontados com os seus próprios demónios. Antes de se renunciar aos bens materiais, é preciso assegurar que se possui as riquezas interiores suficientes para ser capaz de viver a vida da alma e do espírito."


"Quando colocais uma semente na terra, ela estabelece imediatamente ligações, pois inúmeros elementos contidos no solo vão contribuir para a alimentar. Mas ela entra também em relação com o céu: a chuva rega-a, o Sol envia-lhe a sua luz e o seu calor e ela começa a germinar. Vós simplesmente plantastes uma semente ou um caroço e, com esse gesto, fizestes com que o céu e a terra participassem na sua germinação e no seu crescimento.
Em nós ocorrem processos análogos. Por exemplo: quando introduzimos uma semente (alimentos) na nossa terra (o estômago), imediatamente o nosso céu (o cérebro) envia para o estômago correntes para ele começar a trabalhar e a transformar esse alimento em energias. Portanto, todo o corpo beneficia com isso, inclusive o cérebro. Quando se liga a terra ao Céu, o que está em baixo ao que está no Alto, graças a estas ligações ocorrem trocas; quando se desliga a terra do Céu, essas trocas são interrompidas. Ligar e desligar... Encontramos estas duas operações em todos os domínios da existência."

"Seja qual for a vossa idade, esforçai-vos por ser crianças confiantes, que se regozijam com as mínimas coisas e esquecem rapidamente as ofensas e os insucessos, crianças com um coração constantemente disposto a amar. Deste modo, nunca envelhecereis.
A Inteligência Cósmica faz passar o ser humano da infância à velhice porque a idade avançada também traz coisas boas. Simbolicamente, podemos dizer que a infância e a velhice correspondem às duas principais virtudes que devemos desenvolver: a infância representa o amor que quer agir e manifestar todas as possibilidades da vida; a velhice representa a sabedoria que analisa e tira conclusões de todas as suas experiências. É preciso que a criança e o velho, o amor e a sabedoria, aprendam a caminhar juntos: o amor no coração e a sabedoria no intelecto. O coração deve permanecer eternamente jovem e o intelecto deve tornar-se muito velho."

"As relações entre o espírito e o corpo são, desde a origem, uma das questões que o ser humano tem mais dificuldade em resolver. Há muitos pretensos espiritualistas que consideram o corpo como “o túmulo do espírito”. Eles devem aprender a raciocinar melhor. Se o corpo fosse realmente uma prisão, se ele se opusesse assim tanto à evolução dos humanos, porque é que a Inteligência Cósmica os enviaria para se encarnarem na terra? Eles deveriam permanecer no Alto, como puros espíritos... Ora, naqueles que negligenciam o seu corpo físico com o pretexto de se consagrarem às nobres funções do intelecto, da alma e do espírito, são estas mesmas funções que acabam por enfraquecer e sucumbir.
Na realidade, o que impede a manifestação do espírito nos humanos não é tanto o seu corpo físico, mas sim a carapaça fluídica formada pelos desejos, pelas invejas e pelos conflitos da sua natureza interior. Se esta não estivesse sempre a criar toda a espécie de miasmas e de fumos, o seu corpo tornar-se-ia um instrumento perfeito para o espírito."


"Os crentes de todas as religiões têm como primeiro artigo de fé que Deus é o criador do Céu e da terra. Eles recitam isso nas suas orações e cantam-no nos seus cânticos, mas depois regressam às suas ocupações habituais. No céu, o Sol, a Lua e as constelações erguem-se e desaparecem; na terra, as flores florescem, os frutos amadurecem, os rios correm... Toda a Natureza está sempre a glorificar o Criador, celebrando a sua obra.
Entretanto, o que fazem os humanos? Encontram-se para glorificar esta ou aquela pessoa que manifesta alguns talentos, algumas qualidades ou virtudes, ou para se glorificarem a si mesmos. Glorificar Deus não faz parte das suas preocupações. Mesmo aqueles que, por um momento, o glorificaram nas suas orações ou nos seus cânticos, de seguida pensam mais em dirigir-Lhe queixas e reclamações. Será que eles tomam consciência, alguma vez, desta contradição?"


"O ser humano, criado à imagem de Deus, é habitado por uma entidade que é uma emanação d’Ele: o seu Eu superior. Mas esta entidade divina não habita no seu corpo físico. Se ela aí habitasse, realizaria prodígios por seu intermédio.
 Consoante o grau de evolução de um ser, o seu Eu superior vem tomar contacto, com maior ou menor frequência e durante mais ou menos tempo, com o seu cérebro. Mas como, por enquanto, nenhum cérebro humano está preparado para suportar o poder das suas vibrações e pôr-se em sintonia com ele, o Eu superior não se demora. Durante ainda muito tempo, e se lhe dermos condições para tal, ele terá de trabalhar à distância sobre o nosso cérebro para o preparar. Só no dia em que o nosso cérebro for capaz de o abrigar é que o nosso Eu superior tomará completamente posse dele."

"Quando se diz de um homem que ele é santo ou de uma mulher que ela é santa, geralmente pensa-se na sua bondade, na sua paciência, na sua abnegação, na sua capacidade para perdoar ofensas. Estas qualidades são as de um coração que não alimenta qualquer sentimento egoísta ou agressivo, ou seja, que é puro. Mas a verdadeira santidade pertence a um mundo superior, o da inteligência iluminada pela luz divina. Por isso, só o espírito é santo. Na tradição cabalística, Deus é designado “o Santo”. Muitas vezes, em vez de dizerem “Deus”, os cabalistas usam a expressão «Bendito seja o Santo!» E, no livro do Apocalipse, os Serafins, que estão diante do trono de Deus, não param de repetir, dia e noite: «Santo, santo, santo é o Senhor Deus, todo-poderoso.»
 É importante estabelecer a diferença entre pureza e santidade. A pureza é condição para a santidade: para se chegar à santidade do espírito, primeiro é preciso ter purificado o seu coração."


"Quando estão desiludidos pelos acontecimentos, insatisfeitos com a sua sorte, os humanos têm tendência para se projetar no futuro. A esperança é, sem dúvida, a última coisa que eles perdem. Mas, enquanto se espera por dias melhores, tem-se necessidade de encontrar algo em que se apoiar para aguentar. Ora, para aguentar, é preciso não só ter fé, mas também alimentar em si a vida, e é graças ao amor que se alimenta a vida. Senão, a esperança pode não passar de uma fuga à realidade, e então também ela, um dia, nos abandona.
Mas, em geral, o que fazem os humanos? À menor deceção, ao menor obstáculo, perdem o seu amor, perdem a fé, e então a esperança também os deixa. Como fazê-los compreender que as dificuldades só são vencidas pela fé, pela esperança e pelo amor? Mas desde que esta esperança, esta fé e este amor estejam virados para Deus. Estas três virtudes podem ser comparadas às três faces de um prisma de cristal e a presença divina é o raio de Sol que incide sobre o prisma para se decompor em sete cores."

"Muitas vezes, tendes a impressão de um vazio: algo falta em vós. Mas, em vez de vos multiplicardes em encontros, de vos questionardes sobre que novo objeto adquirir ou que situação prestigiosa alcançar, pensai antes em mudar alguma coisa nas vossas perceções. Cultivai a faculdade de ter sensações subtis e podereis passar séculos a contemplar o Sol, as estrelas, as flores, os rostos... sem nunca vos cansardes.
Presentemente, nos jornais, na rádio, na televisão, a publicidade está sempre a tentar convencer as pessoas de que, se comprarem tudo o que lhes é proposto, se sentirão preenchidas. Não, escutai antes os Mestres espirituais, que vos dizem: «Elevai-vos muito alto pelo pensamento, pela oração, e captareis uma partícula, um átomo impercetível, que vos dará o gosto pelas coisas.» Assim que tiverdes recebido esse átomo, ele produzirá em vós vibrações tão intensas, tão subtis, que despertareis para uma vida mais vasta, mais rica, e sentir-vos-eis preenchidos."

"A questão da incarnação dos filhos numa família é muito mais complexa e profunda do que geralmente se pensa. Os pais verdadeiramente sensíveis, se mergulhassem os seus olhos nos dos seus filhos, poderiam sentir que estes são como visitantes desconhecidos aos quais eles dão hospedagem por um certo tempo. Essa alma que vem nascer na sua família não é uma criação sua, eles apenas lhe dão um abrigo no plano físico.
Os pais devem estar atentos e ser bons para a alma que acolhem, nunca esquecendo que os verdadeiros pais dela são pais divinos. Tal como os pais da terra que hospedaram o seu filho algures, os pais divinos sabem que devem algo àqueles que se encarregaram desse ser; e se ele foi bem tratado, educado, amado, eles recompensam-nos generosamente."

"Todos os dias os humanos têm múltiplas ocupações que os obrigam a descer à matéria. Mas eles devem apenas descer, não cair; é preciso ver bem a diferença. A condição para não cair é permanecer ligado ao espírito que habita em nós. Assim, quando eles passarem interiormente por períodos difíceis, encontrarão os meios para escapar à dúvida, à angústia, ao desânimo: escadas que lhes permitirão aceder às regiões superiores da consciência.
Na matéria, é possível encontrar todos os bens, mas também todos os males. Para não se deixar engolir, é preciso ter o cuidado de descer sem obstruir os degraus, sem partir as escadas, sem serrar as cordas, a fim de se poder voltar para cima rapidamente e ficar abrigado em caso de perigo. A fé e um alto ideal são essas escadas e essas cordas que permitem subir rapidamente aos andares superiores."

"Tudo o que desejardes ardentemente realiza-se de imediato nos planos subtis. Se persistirdes nos vossos desejos, essas realizações, que ainda só existem no invisível, descerão cada vez mais e tomarão forma no plano físico. Seja para o bem, seja para o mal, de uma certa maneira todos os desejos acabam por se realizar. Portanto, deveis preocupar-vos unicamente com a natureza desses desejos, para que, ao realizarem-se, eles não vos levem a cometer erros graves.
Podeis desejar ser ricos, mas então imaginai-vos a partilhar essas riquezas com os necessitados e não a usá-las só para vossa satisfação. Podeis desejar a beleza, mas não a beleza que semeia perturbação nos corações: concentrai-vos na beleza espiritual, a que inspira os seres e os projeta para o mundo divino. Em todos os vossos desejos e projetos, sejam quais forem, tende o cuidado de nunca perder de vista o lado moral; senão, um dia também vós sofrereis."

"Vós tendes uma dor de cabeça, uma borbulha, uma crise de fígado... Não tenteis sempre ver-vos livres delas imediatamente, recorrendo a um medicamento. Com efeito, pode acontecer que a Natureza vos traga esse mal para vos levar a fazer no plano psíquico um trabalho que ainda não fizestes e que não faríeis sem isso. Então, começai por orar e concentrai-vos na luz, procurando esquecer esse mal; ao fim de algum tempo, é possível que ele desapareça e vós tereis feito, interiormente, grandes progressos.
Compreendei-me bem: eu não digo que a oração e o pensamento são um remédio para todos os males e substituem todos os medicamentos. Digo apenas que, em vez de escolherdes sempre a facilidade, livrando-vos dos menores mal-estares com meios exteriores – comprimidos, pílulas... –, procurai apelar primeiro para um elemento espiritual, trabalhai com a luz, com o amor, com a harmonia, com a pureza. Desse modo, não só é possível que consigais livrar-vos desse pequeno inconveniente, como todo o vosso ser beneficiará com ele, pois o trabalho que fazeis nessas circunstâncias não incide apenas em algumas células do vosso corpo, algures, mas sim em todo o vosso organismo físico e psíquico. E, se depois tomardes medicamentos, não esqueçais que um trabalho do pensamento aumentará a sua eficácia. "

"Os humanos são atraídos pelo dinheiro porque, instintivamente, sentem que ele representa todas as possibilidades que a vida lhes dá. Só que cometem o erro de confundir o dinheiro com a vida. Creem que o dinheiro lhes dará tudo do mesmo modo que a vida dá tudo, e por isso atribuem-lhe uma importância que são incapazes de dar à vida. Eles tremem perante a ideia de que possam roubar-lhes o seu dinheiro e tomam precauções incríveis para o proteger. Notai o que se passa nos bancos: tornaram-se verdadeiras fortalezas, nada é mais vigiado e protegido do que os cofres-fortes. Mas porque é que os humanos não tremem perante a ideia de esbanjarem a sua vida, que é o seu bem mais precioso, pois é a quinta-essência do próprio Deus? Essa quinta-essência contém todas as riquezas do Universo, e são essas quinta-essências que eles aceitam perder quando procuram obter com afinco umas coisitas sem importância.
O dinheiro é a expressão material de todas as possibilidades que a vida nos dá, sim, mas somente a expressão material. É preciso aprender a transpô-lo para os outros planos – afetivo, mental e espiritual –, a fim de se obter nesses planos o equivalente às riquezas materiais."

"Ao longo das eras, aqueles que guiaram os povos tiveram de começar por ensinar-lhes a justiça. Já era um progresso, e foi o que Moisés fez. Quando Jesus veio, disse que havia algo superior à justiça: a indulgência, o perdão. Mas também não se deve ficar por aqui, pois o perdão, só por si, nada resolve.
Deve-se perdoar, claro, mas, se alguém vier atacar-vos, não podeis ser mais fortes do que ele? Ser mais forte do que o vosso inimigo e, por intermédio de um gesto, de um olhar, de uma vibração divina, fazê-lo sentir não tanto a vossa superioridade, mas a superioridade do espírito. É esta a ambição que deveis ter. Quando conseguireis realizá-la, isso é outra questão. Mas, pelo menos, trabalhai nesse sentido, para não ficardes sempre divididos entre a tendência para ripostar com violência e a de vos deixardes maltratar. O verdadeiro cristão deve estar armado, mas com novas armas. Se o atacarem, ele deve defender-se, mas só com as únicas armas verdadeiras: o amor e a luz."


sábado, 2 de novembro de 2019

A NOSSA HERANÇA



Herança é o legado, é o patrimônio, os bens que deixamos para os descendentes, por hereditariedade ou por testamento.

Muitos de nós trabalhamos de forma árdua, durante toda a vida, objetivando deixar aos herdeiros muitos bens.

Com isso, pensamos, estará garantida a sua felicidade. Parece que esquecemos de olhar ao nosso redor.

Quantas fortunas vimos desaparecer, de forma muito rápida, dilapidadas por herdeiros que, parece, somente aguardavam a oportunidade para gastá-la de forma desmedida, satisfazendo seus prazeres?

Quantas empresas, de grande porte, desapareceram, atingidas por dissensões e disputas entre os familiares?

Ou por falta de preparo para administrar, de forma eficaz, o patrimônio recebido?

Será que desejaremos observar, depois de nossa morte, os nossos descendentes se digladiando nos tribunais por desejarem uma parcela a mais do que consignamos em testamento?

Importante repensarmos atitudes. Primeiramente, termos consciência de que mais do que bens materiais, a nossa presença ao lado dos filhos é verdadeiramente valiosa.

Isso significa que devemos equacionar o tempo de forma a atendermos nossa atividade profissional. E reservarmos tempo para os que amamos.

Tempo para estar com os filhos, vê-los crescer em intelecto e em questões morais.

Questões que nós, pela palavra e pelo exemplo poderemos lhes oferecer.

Exatamente como nossos pais que trabalharam duramente, não ficaram ricos, portanto, não nos deixaram abonados ao partirem.

Porém, nos legaram exemplos maravilhosos de vida: honestidade, dignidade, coragem, respeito aos mais velhos, às crianças, às leis, o amor à pátria e à natureza.

Segundo, se somos detentores de patrimônio expressivo, preparemos nossos filhos para bem administrá-los.

Mostremos-lhes como se age, como devemos dele nos servir, a benefício próprio e dos demais.

Então, quando formos colhidos pela morte, que poderá chegar logo ou mais tarde, teremos entregue às suas mãos o maior legado: o do exemplo do trabalho e da honra.

Eles nos lembrarão como aqueles que os abraçavam e beijavam muitas e várias vezes ao dia.

Aqueles que oravam com eles, que os levavam ao templo para a recepção das lições do Evangelho de Jesus.

Aqueles que lhes acompanhavam as lições da escola, indagando, perguntando, se interessando.

Aqueles, enfim, que ofereceram exemplos de total respeito à família, a qualquer ser humano.

Aqueles que plantamos árvores e flores, os que os ensinamos a respeitar o meio ambiente, as relações sociais.

Quando adentrarem a empresa que lhes legamos, quando usufruírem dos bens materiais que lhes deixamos, recordarão de como exemplificamos o amor ao próximo, o respeito ao subordinado, às leis, aos princípios da honra.

Tornar-se-ão esposos e pais, refletindo nossa herança de amor, de hombridade, de verdadeiros filhos de Deus.

Trabalhemos, portanto, o crescimento do amor em nós, sem desfalecermos diante das dificuldades.

Com certeza, deixaremos para este mundo uma herança que será lembrada e perpetuada pelos anos afora: homens de bem, homens que farão a diferença para este lar que o Senhor Deus nos confiou, para usufruto e crescimento individual.


Redação do Momento Espírita
Em 1º.11.2019

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A LUZ



Ele não tinha sombras. Ele era Luz. Veio para as trevas e as trevas não O reconheceram.

Brilhou em meio à escuridão mas, os que perceberam Sua luminosidade, nada mais desejaram senão apagar a luz que irradiava.

Ele não tinha sombras porque era perfeito. Nenhum traço de inferioridade lhe manchava a personalidade. Antes que a Terra exalasse seu primeiro suspiro como um planeta propício à vida, Ele já era.

Por isso, muitos O julgaram o próprio Incriado e o confundiram com a Divindade. Mas Ele, sempre correto, esclareceu, desde o primeiro momento: Eu vim para cumprir a vontade de meu pai, que está nos céus.

Ele não tinha sombras. Nenhuma culpa, nenhum senão lhe maculava o Espírito.

Por isso, podia estabelecer o convite: Vem e segue-me.

Senhor do mundo, pastor de um rebanho de almas incultas, eivadas de erros e de viciações morais, veio para as conduzir.

Contudo, nem todos lhe ouviram a voz ou O desejaram seguir naqueles tempos.

Por isso, Ele prossegue com o insistente chamado, anunciando as bem-aventuranças do reino do Pai.

Ele era a Luz. Os que nada desejavam senão espalhar sua própria sombra, O perseguiram, levantando calúnias, engendrando maldade.

Ele respondia com amor. Por onde passava, deixava pegadas luminosas a fim de que os que viessem empós, na fieira do tempo e das vidas, pudessem segui-lO. Quando o desejassem, quando lhe pudessem compreender a mensagem.

Falando com a autoridade de quem faz o que recomenda, Ele se dirigia aos Espíritos perturbadores e infelizes, arrancando-os da insensatez.

A Sua era a mensagem da paz: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou.

Senhor das estrelas, não amealhou bens perecíveis, antes preocupou-se em conquistar corações para o reino de Deus.

A quem O feria, qual o sândalo que perfuma o machado que o agride, brindava com o aroma da Sua paz.

De tal forma isso impregnava a criatura que não mais O esquecia. E, na poeira do tempo, optava por se entregar a Ele.

Manso como as pombas, jamais se deixou vencer pelos violentos, a eles respondendo com a dignidade da Sua conduta.

Ao soldado que O esbofeteou em plena face, indagou, sem medo: Se disse algo equivocado, aponta meu erro. Mas, se nada disse errado, por que me bateste?

E, quando a hora soou, qual um cordeiro levado ao altar dos holocaustos, Ele se entregou, sem reagir.

E, sozinho, enfrentou o juízo arbitrário dos pigmeus que detinham o poder tolo e temporário: Anás, Caifás, Pilatos.

Ele era o Senhor do mundo e submeteu-se à justiça comezinha dos homens, ensinando que o exemplo fala mais alto do que as palavras.

Ele era a Luz. Até hoje, Ele brilha e espera.

Espera que as Suas ovelhas lhe atendam ao chamado, reconheçam a Sua voz e descubram que com Ele não mais haverá noite de solidão e amargura.

Que com Ele, não haverá sede de justiça porque Ele é a água viva, que dessedenta para sempre.

Com Ele não haverá carências pois Ele é a plenitude.

Ele é Jesus, o Filho de Deus, o Bom Pastor das nossas almas.

Ele é o Enviado, o Messias aguardado no tempo e anunciado por séculos na voz dos profetas.

Ouçamo-lO. Sigamo-lO. Ele é a Luz, o Caminho, a Vida...


Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 26, ed. FEP.
Em 29.10.2019

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

DAS PÉTALAS ARRANCADAS

Resultado de imagem para petalas arrancadas



A menina pequena começou a perceber o jardim de sua casa.

Encantou-se com uma flor de cor vermelha – bougainville.

Ainda no colo, pediu ao pai para chegar mais perto. Desejava ver com as mãos e sentir seu perfume.

Ao puxar um pequeno galho colorido, a maioria das pétalas se desprendeu acidentalmente. Estavam agora na palma da mão pequenina.

Havia deixado o ramo da planta escarlate quase sem vestes. A criança se assustou. O galho retornou velozmente para trás.

Olhou para o pai como que dizendo: Não pretendia machucá-la...

Logo após fez um gesto inusitado. Esticou o bracinho, segurando na mão as pétalas soltas que ainda guardava e buscou novamente as flores que haviam permanecido no galho.

Ela queria devolver o que havia retirado da flor, agora semidesnuda.

O pai ficou sem ação. Seu primeiro impulso foi dizer que não era possível, no entanto, aceitou o desejo da filha e deixou que ela ajeitasse delicadamente as partes arrancadas junto às que ainda se mantinham no arbusto.

Enfim, a menina deu a situação por resolvida. O pai, porém, não. Ficou com as pétalas arrancadas no pensamento.

*   *   *

É possível devolver uma pétala para uma flor?

Os botânicos certamente dirão e provarão que não. Uma vez retiradas, não voltam mais. Não há como colar, costurar ou provocar qualquer espécie de regeneração.

Assim como o tempo; assim como as palavras que proferimos; assim com os atos. Não há como desfazer o que foi feito, o que foi dito, o que passou.

Ferimos alguém profundamente e pedimos desculpas. Será que somos nós tentando devolver pétalas arrancadas?

Assim, voltemos à questão original: é possível devolver uma pétala para uma flor?

Tudo nos leva a aceitar o não como a resposta mais razoável, ou a única plausível. Resposta triste.

Porém, se a ingenuidade e pureza infantis acreditaram ser possível, quem sabe possamos acreditar tornar possível, mas de uma forma diferente.

E se decidíssemos cuidar daquela árvore de uma maneira especial, olhando-a todos os dias, assim como o Pequeno Príncipe um dia cuidou de sua rosa?

Estarmos atentos ao que ela precise e não deixar que lhe falte coisa alguma. Vamos nos ocupar do solo, mantendo-o fértil.

Conversarmos sempre, dizer o quanto está bela, acompanhar seu crescimento e lá estarmos, emocionados, quando finalmente, novas pétalas nascerem no lugar das faltantes.

Quem sabe será nossa forma de devolver...

E se não pudermos restituir exatamente aquela flor por alguma razão, poderíamos cumprir nossa missão da mesma forma, com outras. Entendendo que nossa dívida é com a natureza como um todo.

*   *   *

O homem sofre sempre a consequência de suas faltas. Não há uma só infração à Lei de Deus que fique sem a correspondente punição.

Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado.

é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito.

A sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem.


Redação do Momento Espírita, com base na crônica
Das pétalas arrancadas, de Andrey Cechelero e no cap. XXVII,
item 21 do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, ed. FEB.
Em 24.10.2019

domingo, 20 de outubro de 2019

A PONTE



O homem andava pelo caminho árido. Longo era o percurso a vencer. Chegou afinal a um ponto onde pensou que não poderia prosseguir.

Enorme abismo se apresentava à frente. Como transpô-lo?

Sentou-se desolado à beira da garganta escancarada.

E agora? Então olhou para sua direita e divisou um pouco além de onde se encontrava, o perfil de uma ponte.

Ébrio de contentamento, dirigiu-se para lá.

As forças lhe voltaram e ele, satisfeito, caminhou sobre o abismo de rochas nuas, seguro, graças à ponte.

São variadas as pontes no mundo e, algumas, famosas. A Golden Gate em São Francisco; a Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Rio-Niterói; a Ponte da Amizade, ligando Brasil e Paraguai; a ponte Neuf, em Paris.

Diferentes em largura, comprimento e arquitetura. Todas, no entanto, traço de união entre duas extremidades distantes.

Você já pensou alguma vez se tornar uma ponte? Ponte entre Deus e os homens, entre a luz e as sombras?

Um hífen de luz entre a dor e o medicamento precioso, entre o desalentado e o consolo, entre o faminto e o alimento?

Estenda suas mãos e aja. Enquanto muitos reclamam das distâncias, estenda os braços e estabeleça a ponte da fraternidade.

Quando vários gritam em face do caos que impera, estenda a ponte da organização e da disciplina.

Seja uma ponte entre a miséria e o trabalho digno, convidando os companheiros que seguem com você, a se engajarem em ocupação útil que garante o pão, o abrigo, a nobreza de servir.

Lembre que entre os homens e Deus, Jesus, o Divino Amigo ainda hoje permanece de braços abertos, conforme Ele mesmo afirmou: Tudo que pedirdes ao pai em meu nome, ele vos dará.

*   *   *

Estêvão, o primeiro mártir do Cristianismo tornou-se uma ponte entre Jesus e o Apóstolo Paulo, filtrando o pensamento do Cristo, para que as Epístolas traduzissem as recomendações do Mestre aos núcleos nascentes da Boa Nova.

Chico Xavier fez da sua existência uma ponte entre o mundo visível e invisível, fazendo sol nas almas, encurtando as distâncias da saudade.

A exemplo dele, pontes se multiplicam no mundo, na ação de homens e mulheres que se anulam em benefício do próximo.

Madre Teresa de Calcutá, Alberto Schweitzer, Irmã Dulce.

Sem falar nos professores que estabelecem a ponte entre o livro e a ignorância, descerrando os caminhos da cultura.

Médium, servidor, amigo, irmão. Onde esteja, torne-se uma ponte de amor, de alegria, de serviço.

*   *   *

Deus vive, manifesta e dilata o Seu amor através das criaturas.

Onde você estiver, Ele se manifestará.

Permita que os outros O sintam através de você, da sua ação, da sua palavra e da sua expressão.

Pense nisso. Mas pense, agora!



Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 2, ed. FEP.
Em 18.10.2019

domingo, 13 de outubro de 2019

A ORAÇÃO DE UMA CRIANÇA



Certa vez, uma mãe viu seu filhinho sentado em um canto da sala, recitando alto as letras do alfabeto: a, b, c, d, e, f, g...

Intrigada, ela se aproximou e lhe perguntou:

Filho, o que você está fazendo?

Mamãe, você me disse para eu orar sempre a Deus. Acontece que eu não sei como fazer. Então resolvi ir dizendo o alfabeto inteiro para Deus, pedindo que faça uma boa oração com essas letras.

O fato poderia ser tomado como uma dessas coisas de criança se não houvesse tanta fé na simplicidade do gesto. Simplicidade que esquecemos muitas vezes.

Quantas vezes dizemos que não sabemos orar ou como nos dirigir ao Criador. Chegamos a pedir a outros que orem por nós, pelas nossas necessidades, pelos nossos afetos, porque não sabemos como orar.

E é tão simples. Orar é dialogar com Quem é o maior responsável pela nossa vida, por tudo que somos, desde que nos originamos da Sua vontade: Deus.

Não há necessidade de palavras difíceis, rebuscadas ou decoradas. A oração deve ser espontânea, gerada pela necessidade do momento. Ou por um momento de intensa alegria, uma conquista concretizada, um objetivo alcançado.

Já nos ensinou o Mestre Galileu a Seu tempo: Não creiais que por muito falardes, sereis ouvidos. Não é pela multiplicidade das palavras que sereis atendidos.

E sabiamente ainda ensinou Jesus que se devia orar ao Pai em secreto. Portanto, existem muitas preces que nem chegam a ser proferidas. Explodem da alma para os céus sem que os lábios tomem parte, sem que as cordas vocais sejam acionadas.

Deus vê o que se passa no fundo dos corações. Lê o pensamento dos Seus filhos.

A oração pode se tornar incessante em nossas vidas sem que haja necessidade de tomarmos qualquer postura especial. A prece pode ser de todos os instantes, sem nenhuma interrupção dos nossos trabalhos.

Pode consistir no ato de reconhecimento a Deus quando escapamos de um acidente que poderia ser fatal. Pode ser um momento de êxtase pela beleza do oceano que joga suas ondas contra as rochas, desejando arrebatá-las para o seu seio.

Ou, ainda, ante o espetáculo de cores do arco-íris após a tormenta que despetalou as rosas.

Sem fórmulas prontas, sem palavras encomendadas ou de difícil pronúncia.

Rogar, agradecer. Exatamente como a criança que ganha um brinquedo, pula no colo do pai, e diz sorrindo: Obrigado, papai. Adorei.

Ou, quando, súplice, pede: Papai, compra um sorvete? Ah, por favor. Compra, papai.

Singeleza, simplicidade. É assim que devemos dialogar com Deus, nosso Pai.

*   *   *

Deus, em Sua infinita misericórdia, criou um canal especial de comunicação para que a qualquer hora, em qualquer lugar, todo ser pensante pudesse falar com Ele.

Este canal chama-se prece. Acessível ao pobre, ao abastado, ao letrado e ao desprovido de recursos intelectuais. À criança e ao adulto; a quem crê e até mesmo a quem não crê mas que um dia se dá conta que é muito confortador ter um Pai que escuta sempre, atende e socorre.

Não se esqueça de usar o seu canal especial de comunicação.


Redação do Momento Espírita, com relato do cap. A oração de uma criança,
do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray e com base no
cap. XXVII, item 22 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec,
ed. FEB.
Em 10.10.2019

terça-feira, 8 de outubro de 2019

MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV


"Na maior parte das tradições, a direita está simbolicamente associada ao bem e a esquerda ao mal. Com efeito, quando se diz que alguém segue a via da esquerda, isso significa que o seu comportamento não é famoso. Mas, na nossa vida quotidiana, a mão esquerda deve associar-se à mão direita para podermos agir com eficácia.
A mão esquerda e a mão direita são ambas instrumentos da nossa atividade. Elas conjugam-se, harmonizam-se, completam-se; cada uma é um aspeto da unidade que nós representamos. É impossível pensar numa mão independentemente da outra, pois elas estão polarizadas: a direita, emissiva, tem a polaridade masculina, e a esquerda, recetiva, a polaridade feminina. Por isso, foram muitas vezes relacionadas com o Sol (mão direita) e a Lua (mão esquerda), que exercem ambos a sua influência sobre nós. O princípio masculino e o princípio feminino projetam correntes por intermédio das duas mãos e elas agem em conjunto para trabalhar, apoiar, reparar, salvar."

"Receber uma filosofia nova que abre novos horizontes, que apresenta um ideal sempre mais elevado a atingir, implica ser capaz de se harmonizar com ela, o que significa reforçar não só o seu cérebro, mas também o seu estômago, os seus pulmões e todo o seu organismo, para conseguir resistir às tensões que, necessariamente, surgirão. Não se deve imaginar que as correntes de luz e de amor são fáceis de suportar. A espiritualidade começa por ser uma ciência que se adquire escutando as palavras de um sábio, lendo diferentes obras. Mas é insuficiente e até nocivo limitar-se a alimentar o seu intelecto.
Aquele que decide seguir um ensinamento espiritual deve, pois, mudar o seu modo de vida. Senão, após algum tempo estará enredado em contradições tais, que entrará em conflito não só consigo próprio, mas também com aqueles que o rodeiam e com a sociedade em geral. Há tantas pessoas que, depois de terem, supostamente, abraçado a vida espiritual, se tornam insuportáveis para todos! Elas devem fazer uma revisão a si próprias para verificarem se criam a harmonia à sua volta e se conseguem mostrar-se dignas do ensinamento espiritual que decidiram seguir."

"Quereis tornar-vos mais vivos? Quereis que as vibrações e as emanações da vossa vida se tornem mais intensas? Das dezenas de métodos que posso dar-vos, fixai pelo menos um. Tomai consciência de toda a vida que existe à vossa volta, em toda a Natureza e também nos humanos. Ao saudardes as pessoas com quem vos relacionais, procurai sentir a centelha de vida divina que habita nelas, agradecei-lhes por tudo o que vos dão ou fazem por vós, por vezes sem sequer vos aperceberdes. Estar vivo é maravilhar-se sempre, é ver sempre os seres e as coisas, à nossa volta e acima de nós, como se fosse pela primeira vez.
A vida é o laço mais forte que nos une a Deus e, mesmo sendo possível encontrar a religião nas igrejas, ela está, em primeiro lugar, na vida. Por isso, devemos manter uma relação consciente com as suas manifestações mais poderosas e mais belas. Este estudo da vida, há que prossegui-lo durante milhões de anos, pois é uma ciência sem fim e é isso que a torna tão cativante. Depois de se ter começado, sente-se que já não se consegue parar."

"Como a Terra gira sobre si própria, não se vê o Sol a nascer em todos os lugares ao mesmo tempo. E isso pouco importa; quer seja noite ou dia para vós, há sempre um lugar da Terra onde se vê o Sol a surgir no horizonte. Portanto, mesmo que seja noite, podeis dirigir-vos pelo pensamento ao lugar onde ele está a nascer: deste modo, juntar-vos-eis aos seres que estarão a contemplá-lo e participareis na sua meditação e nas suas orações. Se, um dia, acordardes tarde demais para o verdes nascer onde vos encontrais, será pena, claro, mas nada vos impede de, por intermédio do pensamento, partirdes para oeste: assim, não tereis perdido todas as bênçãos da aurora.
E não penseis que só os humanos é que olham para o Sol. No invisível, há milhões e milhões de espíritos que se viram para o Sol e se alimentam do seu calor e da sua luz. Os humanos são os que menos sabem como receber as energias do Sol. As plantas ultrapassam-nos neste aspeto."

"Por vezes, de forma inesperada, recebeis uma luz, uma graça do Céu. Tomai consciência desse facto e parai demoradamente para vos impregnardes dela.
A maior parte dos humanos ignora que muitos dos seus sofrimentos vêm precisamente de eles não terem esta consciência. Muitas vezes, recebem do mundo espiritual uma inspiração, um impulso, um apoio, mas depressa os perdem, muito simplesmente porque são negligentes, não têm qualquer consideração pelo valor daquilo que receberam. Fazem como se o Céu tivesse de estar sempre ao seu serviço e, quando não têm nada de mais interessante para fazer, aceitam parar durante alguns minutos para escutarem o que ele tem para lhes dizer, para receberem o que ele tem para lhes dar. Não, o Céu não está à disposição de pessoas caprichosas e negligentes! Se elas não estiverem suficientemente atentas para sentirem o que o Céu dá à sua alma e ao seu espírito, não receberão nada."

"Cada perturbação, cada mal-estar que sentimos, avisa-nos de que um inimigo está a perseguir-nos. Para nos salvarmos, devemos procurar ir até à nossa consciência superior, fechar-nos lá como numa fortaleza e não sair, nem mesmo com o pretexto de afastarmos esse inimigo que nos ameaça.
Aqueles que tentaram lutar contra os inimigos que são certas tendências, certos maus instintos, constaram muitas vezes que, desse modo, só os reforçavam! Esquecei, pois, esses inimigos e pensai somente em entrar em vós mesmos, para vos refugiardes junto do vosso Eu superior. Nas alturas para onde vos projetastes, recebereis a luz, a sabedoria, a força, e então podereis defender-vos com verdadeiras armas."

"A verdadeira clarividência, os olhos verdadeiros, encontram-se no coração; é o amor que abre os olhos. Quando amais um ser, vedes nele toda a espécie de coisas belas, que mais ninguém vê. Aqueles que não têm esse amor por ele acharão a vossa opinião exagerada; e ela pode ser exagerada, mas vós vede-lo como Deus o criou na origem, ou tal como ele será quando voltar para o seio do Eterno.
Só o amor tem o poder de abrir os nossos olhos espirituais. Aqueles que querem tornar-se clarividentes devem aprender a amar. Enquanto não amam, não veem as qualidades magníficas dos outros nem as belezas da Natureza. E não só não as veem, como estão sempre a criticar o Criador por ter feito tão mal as coisas: no seu lugar, eles teriam feito de outra maneira… e melhor, claro! Mas, enquanto o seu coração estiver fechado, eles não serão admitidos no reino dos mistérios."

"Como a Terra gira sobre si própria, não se vê o Sol a nascer em todos os lugares ao mesmo tempo. E isso pouco importa; quer seja noite ou dia para vós, há sempre um lugar da Terra onde se vê o Sol a surgir no horizonte. Portanto, mesmo que seja noite, podeis dirigir-vos pelo pensamento ao lugar onde ele está a nascer: deste modo, juntar-vos-eis aos seres que estarão a contemplá-lo e participareis na sua meditação e nas suas orações. Se, um dia, acordardes tarde demais para o verdes nascer onde vos encontrais, será pena, claro, mas nada vos impede de, por intermédio do pensamento, partirdes para oeste: assim, não tereis perdido todas as bênçãos da aurora.
E não penseis que só os humanos é que olham para o Sol. No invisível, há milhões e milhões de espíritos que se viram para o Sol e se alimentam do seu calor e da sua luz. Os humanos são os que menos sabem como receber as energias do Sol. As plantas ultrapassam-nos neste aspeto."

"«Pai nosso, que estás nos céus...». É assim que, nos Evangelhos, Jesus nos ensina a orar, e nós pedimos a este Pai: «Dá-nos hoje o pão de cada dia.», quer dizer, a quantidade de alimento de que necessitamos para passar esse dia. Não é útil pedir mais. Deve bastar aquilo de que necessitamos para hoje.
Este pão, que simboliza o alimento que nos é indispensável para a nossa vida física, deve ser também, e sobretudo, compreendido no plano espiritual. É todas as manhãs que devemos procurar o pão celeste, não há que fazer provisões para vários dias. No dia seguinte, pedi-lo-emos de novo. Devemos procurar todos os dias os alimentos sempre novos que são a luz, a sabedoria, o amor, e encontramo-los na vida, na luz e no calor do Sol nascente. Mas compreendei-me bem: não estou a referir-me apenas ao Sol físico, mas também, e sobretudo, ao Sol espiritual."

"A cultura e a civilização não são outra coisa a não ser um trabalho sobre a matéria. Os humanos terão sempre algo a fazer com ela, sobre ela, mas este trabalho de criação não deve limitar-se à matéria física, exterior a eles. Os seus instintos, os seus desejos, os seus sentimentos e os seus pensamentos também são uma matéria que eles estão vocacionados para tornar mais pura, mais nobre.
O trabalho espiritual também é, pois, um trabalho sobre a matéria. Quando os humanos aprenderem a usar todos os poderes do espírito para agirem sobre a matéria que existe neles, tudo o que depois realizarem no exterior estará marcado pelo selo do espírito, pela sua luz, pelo seu amor, pelo seu poder."

"Quando um gesto, uma palavra, um olhar, introduziram em vós a perturbação e a cólera, podeis ripostar, evidentemente. Mas, se quiserdes agir com sabedoria, ficai quietos e, sobretudo, calai-vos! A cólera é como a irrupção da força bruta de uma corrente; esta força não é necessariamente má, até pode ser benéfica para vós e para os outros, mas só se souberdes dominá-la para depois poderdes dirigi-la. E, para a dirigirdes, primeiro deveis depor as armas que essa reação instintiva acabou de pôr bruscamente à vossa disposição. Portanto, acima de tudo, ficai quietos e não respondais.
Depois, para superardes a perturbação que, por certo, ainda sentis, respirai profundamente, fazei alguns movimentos harmoniosos e ritmados com as pernas, os braços, a cabeça. Podeis também, pelo pensamento, escrever palavras no espaço em letras de luz: paz, sabedoria, amor, beleza… Estes meios muito simples dão grandes resultados, mas desde que se mantenha a lucidez e o autodomínio suficientes para ter o reflexo de os utilizar."

"Certas pessoas têm-se mostrado capazes de sacrificar toda a gente para manter a salvo a sua família. Talvez consigam garantir a sua segurança e o seu bem-estar material, mas essa proteção será suficiente? O abrigo e o conforto materiais nunca impediram os seres de sofrerem quando lhes falta o essencial: um alimento espiritual. Só se poderá dar-lhes este alimento espiritual se se procurar avançar dia após dia, por si mesmo, no caminho da luz.
Não se pode duvidar de que a maioria dos humanos amam a sua família, mas ainda não sabem como lhe fazer bem verdadeiramente. Também não sabem que, graças à ligação que os une aos seus próximos, podem influenciá-los favoravelmente, mesmo depois de eles deixarem a terra, pois as almas desses parentes continuam junto deles e participam na sua vida. Os pais também beneficiam, no outro mundo, dos esforços dos seus filhos e das suas filhas quando estes estudam e se melhoram. E esses filhos e essas filhas, quando também tiverem filhos, transmitir-lhes-ão como herança as riquezas espirituais que adquiriram."

"Para compreendermos porque é que o número 13 é considerado maléfico, precisamos de começar por focar-nos um pouco no número 12. Um dia divide-se em duas vezes doze horas, um ano em doze meses, há doze signos do zodíaco, etc. O 12 é, pois, o número que forma um todo, um conjunto completo. Ora, o 13 é 12+1. O 1 que vem acrescentar-se não pertence ao conjunto formado pelo 12; é como um elemento estranho e, se não for puro, desinteressado, se não vibrar em harmonia com a entidade a que se acrescenta, todo o conjunto fica ameaçado. É por isto que o 13 é considerado um número difícil, que traz provações e, por vezes, até a morte.
Mas também podemos dizer que o 1 que se acrescenta representa o começo de outro ciclo ou de outro conjunto. Na Ciência Iniciática, a morte nunca é considerada um fim, mas o começo de uma vida nova."

"Por intermédio dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, do seu ideal, o discípulo da Ciência espiritual procura operar transformações até ao âmago das suas células. Ele sabe que os milhões e milhões de células que constituem o seu corpo físico são moradas de pequenas almas e que a cada uma delas foi confiada uma determinada atividade, pois uma célula não é uma simples partícula de matéria que ocupa um lugar qualquer no organismo. Cada célula comporta-se como uma obreira consciente do trabalho que deve desempenhar na parte do corpo onde se encontra e é do seu trabalho que depende o bom funcionamento do conjunto.
É difícil explicar a ligação que une o ser humano a todas as almas que habitam no seu organismo. Mas esta ligação existe e até se torna mais forte quando ele tomou consciência de que, pela vida que leva e por um trabalho do pensamento, pode entrar em contacto com as suas células para as regenerar. Esforçando-se por controlar, por purificar, por enriquecer a sua vida psíquica, ele age não só sobre as partículas materiais do seu corpo, mas também sobre a sua memória; então, todas as suas más tendências, todos os seus maus hábitos, pouco a pouco dão lugar a novos e melhores comportamentos."

"Todas as casas, todos os edifícios, têm um teto. Na linguagem eterna dos símbolos, o teto representa o mundo do espírito, e cada um deve procurar ser inspirado pelo espírito para não se deixar tomar pela desordem e pela confusão. Quando se desencadeiam conflitos à vossa volta ou em vós mesmos, esforçai-vos por subir ao vosso teto e aí permanecer; ou seja, refleti, raciocinai, ligai-vos ao mundo divino, para encontrardes a paz e a luz. Só então vereis claro e sabereis que decisões tomar.
Quaisquer que sejam os perigos físicos ou psíquicos a que possamos estar expostos, é subindo ao teto, é projetando-nos no mundo espiritual, que temos maiores possibilidades de encontrar soluções para agir eficazmente na matéria. A matéria, só por si, nunca nos garante proteção completa. As boas condições materiais têm a sua utilidade, mas, mesmo as mais favoráveis, não nos protegem definitivamente. E isto vai mesmo mais longe, pois, se não recorrermos ao espírito para descobrirmos a melhor maneira de utilizar as condições materiais favoráveis, estas poderão virar-se contra nós."

"Cada um vem ao mundo com uma certa configuração psíquica que faz com que tenha mais certas opiniões, certos gostos, certos comportamentos, do que outros. É natural. Mas cada um vem também ao mundo com faculdades de raciocínio, de reflexão, que permitem fazer uma triagem nas suas opiniões e nos seus gostos. Então, em vez de se deixar levar pelos seus impulsos, pelo menos pode dizer para si próprio: «Bom, é assim que eu vejo e sinto as coisas, mas talvez haja pessoas mais bem informadas do que eu, porque estudaram durante muito mais tempo. Por enquanto, é preferível eu não me pronunciar, vou também estudar...».
É frequente ouvir pessoas dizerem: «Eu penso que... Eu acho que...», com toda a convicção de que estão absolutamente certas! Mas, mesmo que, de um dado ponto de vista, as suas opiniões se justifiquem, elas têm sempre progressos a fazer. O juízo que cada um faz e o seu comportamento podem sempre ser melhorados."

"O amor verdadeiro não é um sentimento, mas um estado de consciência. Para aquele que alimenta o amor como um estado de consciência, tudo lhe parece novo, porque o amor tem esta capacidade extraordinária de fazer os humanos verem a Natureza e as criaturas que a povoam como se fosse pela primeira vez.
Só o amor sabe perceber as correntes subtis da vida que nos atravessam, e essas correntes estão sempre a renovar-se. Só por si, a consciência objetiva, física, daquilo que existe não é suficiente para nos preencher. Imaginemos que alguém é capaz de explorar todo o Universo: acabará por sentir falta de qualquer coisa, até um certo aborrecimento, se não tiver aprendido a entrar em contacto com as correntes subtis da vida que circulam em todos os seres e em todas as coisas."

"Qualquer que seja o vosso grau de evolução, esforçai-vos por ir sempre mais longe na exploração da vossa consciência e no desenvolvimento das vossas faculdades.
Vou explicar-vos um exercício. Permanecei longamente em silêncio e imóveis, e depois começai a elevar-vos pelo pensamento… Imaginai que, pouco a pouco, deixais o vosso corpo físico, saindo pela abertura que existe na parte superior do crânio. Continuai, imaginando que atravessais os vossos corpos causal, búdico e átmico. Ligais-vos assim à Alma Universal, o princípio cósmico que preenche o espaço, e então participais no seu trabalho em todas as regiões do Universo simultaneamente. Talvez vós mesmos não saibais de forma clara, nesse momento, o que fazeis, mas o vosso espírito saberá."

"Por intermédio dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, do seu ideal, o discípulo da Ciência espiritual procura operar transformações até ao âmago das suas células. Ele sabe que os milhões e milhões de células que constituem o seu corpo físico são moradas de pequenas almas e que a cada uma delas foi confiada uma determinada atividade, pois uma célula não é uma simples partícula de matéria que ocupa um lugar qualquer no organismo. Cada célula comporta-se como uma obreira consciente do trabalho que deve desempenhar na parte do corpo onde se encontra e é do seu trabalho que depende o bom funcionamento do conjunto.
É difícil explicar a ligação que une o ser humano a todas as almas que habitam no seu organismo. Mas esta ligação existe e até se torna mais forte quando ele tomou consciência de que, pela vida que leva e por um trabalho do pensamento, pode entrar em contacto com as suas células para as regenerar. Esforçando-se por controlar, por purificar, por enriquecer a sua vida psíquica, ele age não só sobre as partículas materiais do seu corpo, mas também sobre a sua memória; então, todas as suas más tendências, todos os seus maus hábitos, pouco a pouco dão lugar a novos e melhores comportamentos."

"Aqueles que enveredam pela Ciência Iniciática são obrigados a estudar a questão do além. Isso começa pelo conhecimento das relações que existem entre o homem e o Universo. Tal como o Universo, o homem é composto por várias regiões, os seus corpos físico, astral, mental, causal, búdico e átmico, por intermédio dos quais ele está em relação com todas as regiões do espaço. Consoante a natureza dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, dos seus desejos e dos seus atos, ele entra em contacto com o mundo da luz ou com o das trevas. Ao morrer, o homem apenas deixa o seu corpo físico. Se, durante a sua existência, ele se esforçou por dominar as manifestações da sua natureza inferior, purificou o seu corpo astral e o seu corpo mental, e, pela lei da afinidade, dirige-se para os planos astral e mental superiores, que são mundos de beleza e de alegria. Se não fez esses esforços, é arrastado para o astral e o mental inferiores, onde sofrerá.
Antes de serem regiões do espaço onde o homem irá sofrer ou regozijar-se após a sua morte, aquilo a que os cristãos chamaram Inferno e Paraíso são regiões que existem nele, que fazem parte dele e às quais ele não pode escapar."

"O que representam a fé, a esperança e o amor para a maioria dos humanos? Alguns talvez se lembrem de que, na sua infância, ouviram falar, na igreja, das três virtudes ditas “teologais”, ou seja, que têm Deus por objeto. Mas tudo isso está muito longe e não lhes diz grande coisa. No entanto, todos os humanos creem, esperam e amam.
Se estas três virtudes lhes parecem longínquas, estranhas, é porque eles as consideram de maneira abstrata. Não sentem que elas constituem os pilares da sua vida interior, e não sentem porque, para eles, Deus ainda não é uma realidade viva, não sabem como ter uma representação d’Ele. Já vos disse muitas vezes que a melhor imagem de Deus é-nos dada pelo Sol, dispensador de vida, de luz e de calor. Só a vida, a luz e o calor do Sol podem fazer-nos sentir o que são o poder, a sabedoria e o amor de Deus. Cabe-nos a nós, pois, procurar entrar em relação com este poder, esta sabedoria e este amor divinos, e só o conseguimos por intermédio da esperança, da fé e do amor."

"Devemos conseguir distinguir bem em nós o Eu superior do eu inferior, para só favorecermos as manifestações do nosso Eu superior. Devemos ter esta atitude também em relação aos outros e procurar sempre entrar em relação com a sua natureza divina, para lhe darmos possibilidades de se revelar e de se expandir.
Muitas vezes, com o pretexto de darem resposta aos seus desejos e às suas exigências, os humanos estão sempre a alimentar a natureza inferior nos membros da sua família, nos seus amigos e nas pessoas com quem se relacionam. Não sabem que a natureza inferior dos seres se caracteriza pela avidez, pelo egocentrismo e pela ingratidão; e, embora pensem que, deste modo, poderão atrair o seu amor e o seu reconhecimento, na realidade expõem-se às piores deceções. Como recompensa dos seus serviços, só recebem indiferença, desprezo ou, por vezes, até ódio. E então queixam-se: «Depois de tudo o que eu fiz por ele (ou por ela)!» Pois bem, antes de se sacrificarem pelos outros, deveriam ter-se questionado sobre o que estavam a servir neles: a natureza superior ou a natureza inferior."

"Não é de estranhar que, presentemente, tantas pessoas afirmem que já não creem em Deus e até neguem a sua existência. Elas já não conseguem aceitar a imagem que lhes dão d’Ele, uma imagem pueril, simplista; e, como não sabem substituí-la, colocam questões inúteis acerca da sua existência. Mas não é interrogando-se sobre a existência de Deus que se obtém respostas. Consegue-se ter respostas trabalhando para aprofundar em si próprio a consciência de uma vida, de uma presença. É só em si próprio que se descobre como Deus é real.
Os humanos fizeram, nos tempos mais recentes, grandes progressos no domínio do mundo psíquico. É-lhes possível, pois, compreender que esse Deus, no qual ainda pensam como um ser exterior a eles, na realidade está neles. Só então obterão as verdadeiras riquezas, os verdadeiros poderes. Aquele que sente Deus no exterior de si fique entregue apenas aos seus recursos, que são muito limitados. Àquele que toma consciência de que é inseparável do Criador, não só não lhe falta nada, como tem cada vez mais capacidade para ver claro, o que lhe permite enfrentar as dificuldades e fazer o bem à
 sua volta.  "

"Todos temos em nós um povo imenso pelo qual somos responsáveis: as nossas células. Podemos protegê-las, mas só se lhes dermos ar puro para respirarem, assim como comida e bebidas sãs. Senão, depois de terem tentado resistir, elas enfraquecem, já não são capazes de fazer face aos ataques exteriores – todas as formas de poluição e de epidemias que as ameaçam. Para lhes darmos esses alimentos e esse ar puro, devemos também trabalhar sobre os nossos pensamentos e os nossos sentimentos, pois as nossas células são igualmente sensíveis à atmosfera psíquica que criamos.
 É esta a verdadeira ciência, a ciência da vida. Vós direis que é uma ciência estranha. Talvez, mas, quando se conseguir construir aparelhos capazes de estudarem a vida interior do homem, descobrir-se-á que nada é mais exato do que a ciência da vida interior, a ciência do pensamento e do sentimento, e dos seus efeitos sobre a nossa saúde física e psíquica."

"A partir do cume onde se alojou, o orgulhoso olha sempre para baixo e, evidentemente, só vê seres ignorantes, fracos, com vícios. Ele considera-os com desprezo e passeia-se por toda a parte inchado com o sentimento da sua superioridade. Mas, como está sempre satisfeito consigo, não avança.
 Pelo contrário, aquele que olha para cima apercebe-se da existência de seres mais evoluídos, mais sábios, mais luminosos, e, ao comparar-se com eles, começa a ver os seus próprios defeitos. Como se sente muito pequenino a par desses seres, torna-se humilde, e é essa humildade que o engrandece, porque, ao fixar a sua atenção neles, ao admirá-los, não fica sem fazer nada: trabalha, esforça-se, pois quer muito tornar-se como eles! E, assim, avança."

"A mão do homem é um dos seus principais instrumentos de criação, não só no plano físico, mas também nos planos psíquico e espiritual, pois uma mão não se limita aos seus contornos físicos, prolonga-se nos planos subtis, onde pode não só captar, mas também projetar correntes de forças.
Todos os dias vos servis das vossas mãos e sabeis como estaríeis limitados se ficásseis privados de as utilizar. Mas ainda não estais suficientemente conscientes de que elas não são apenas órgãos físicos, como um qualquer utensílio ou instrumento: a matéria fluídica que emana de vós liga-vos ao corpo subtil da Natureza. As mãos dos seres que trabalham durante muito tempo com o amor e a sabedoria entram realmente em comunicação com as forças celestes e transmitem as suas bênçãos."

"Por intermédio da sua palavra, um Mestre espiritual conduz os seus discípulos o mais longe que consegue, mas depois cala-se. Ele não pode revelar-lhes tudo o que vive no seu espírito e na sua alma. Apenas pode tentar convencê-los da realidade de certas experiências ainda inimagináveis para eles. E, como essas experiências impregnam todo o seu ser, impregnam também tudo aquilo de que ele lhes fala. Qualquer que seja o assunto, ele transmite-lhes algo que vem de muito longe, de muito alto; é assim que incute neles o desejo de viverem o que ele próprio viveu e, por intermédio das suas explicações e dos métodos que lhes dá, prepara-lhes condições, indica-lhes o caminho.
Nunca esqueçais isto: tudo o que eu vos digo refere-se à vossa vida, a realidades, a possibilidades, que existem em vós. Mesmo que ainda não tenhais tomado consciência delas, mesmo que ainda não compreendais a que corresponde aquilo que vos digo, eu sei que, por intermédio das minhas palavras, toco em vós uma entidade que não quer outra coisa a não ser manifestar-se."

"Contrariamente a uma opinião que é muito comum, pôr-se ao serviço de Deus não significa descurar o seu próximo, pelo contrário. Os verdadeiros filhos de Deus são aqueles que se esforçam por servi-l’O também no seu próximo. E, mesmo que só recolham ingratidão, não desanimam. Eles resolveram e ultrapassaram os seus problemas pessoais, familiares, sociais, estão livres para pensar mais longe e mais alto. Sentem-se membros da família universal e é a trabalhar para ela que a sua alma se alimenta.
É certo que nem toda a gente está preparada para este trabalho. Quem se consagra ao bem de todos não deve estar à espera de viver uma vida tranquila, terá até de enfrentar mais dificuldades do que qualquer outro. Mas, por ele ser um servidor de Deus, certas entidades luminosas que também estão ao serviço do Senhor vêm em seu auxílio, carregam uma parte dos seus fardos. Não é no plano físico, material, que ele recebe esse apoio, mas sim nos planos psíquico e espiritual. É aí que ele recebe a luz e as forças para melhor suportar as provações e continuar o seu trabalho."