domingo, 3 de novembro de 2019

MESTRE OMRAAM MIKHAEL AIVANHOV



"Todos os meses, nós vemos a Lua crescer e decrescer no céu. Tal como ela, a nossa consciência ilumina-se e obscurece-se, enche-se e esvazia-se. Nós estamos submetidos às mesmas alternâncias que a Natureza, por isso devemos estar conscientes da época em que cada fenómeno pode ocorrer. Suponhamos que se aproxima um período difícil: se não o sentirdes, assumireis compromissos imprudentemente; então, quando chega o momento de agir, já não tendes inspiração nem gosto e sois malsucedidos naquilo que empreendestes. Poderíeis ter evitado esse insucesso se tivésseis sabido prever que viria inevitavelmente o período em que não conseguiríeis ver tão claro, pois todos os erros são cometidos nas trevas, quando a consciência se obscureceu.
Em vós, tal como fora de vós, não podeis escapar a esta alternância entre o dia e a noite, a claridade e a escuridão. Mas, se aprenderdes a observar-vos, descobrireis, em cada circunstância, sinais precursores que vos avisarão de que se aproxima o período de escuridão. Então, estai vigilantes! Preparai os elementos espirituais que continuarão a alimentar a luz em vós."

"No plano físico, os quatro elementos têm a propriedade de se reforçar mutuamente ou de se neutralizar. O ar atrai o fogo ou apaga-o. A água também apaga o fogo, mas o fogo pode transformá-la em vapor. A terra, essa, absorve a água.
Encontramos o equivalente a estes fenómenos no plano psíquico. Eu indiquei-vos exercícios para fazerdes com a terra, pois, no plano psíquico, a terra também tem o poder de absorver as correntes más, que são comparáveis à água. Quando vos sentis perturbados, irritados, podeis fazer um pequeno buraco na terra, colocar nele um dedo e pedir às entidades que trabalham nas suas entranhas que absorvam esses estados negativos. As mudanças que, atualmente, ocorrem na sociedade fazem com que os humanos estejam cada vez menos em contacto com a terra; é pena, pois esses contactos são sempre benéficos para o psiquismo. Em diversas ocasiões, aconselhei pessoas que sofriam de angústia, de obsessões, a trabalharem a terra. Cavar, abrir buracos, tirar ervas ou plantar são atividades que podem ser praticadas como uma terapia."

"Muitos investigadores reconhecem que encontraram durante o sono a solução para problemas que os preocupavam. Com efeito, durante o sono a alma viaja e entra em contacto com outros mundos. Quando se ouve falar em pesquisas científicas, imagina-se somente pessoas em laboratórios, ocupadas a manipular aparelhos e a encher páginas inteiras com cálculos. É verdade que elas manipulam aparelhos e fazem muitos cálculos, mas, se se estudasse bem o seu caso, perceber-se-ia que, muitas vezes, o seu inconsciente participa muito nas suas descobertas.
Por vezes, a constância de certos investigadores e a intensidade dos seus esforços põem-nos em estados próximos do desdobramento; eles são projetados para regiões desconhecidas de que não têm a menor ideia e é por isso que, no momento em que menos esperam, têm um “flash” e surge-lhes a solução. Isso pode ocorrer durante o sono. Então, de súbito, eles despertam, anotam rapidamente qualquer coisa e adormecem de novo; no dia seguinte, dificilmente se recordam do que lhes aconteceu. Também vós, se souberdes preparar-vos para o sono, podereis ter certas revelações."

"Só a fusão, a união, o êxtase, permitem ao homem conhecer Deus. Para esclarecermos este processo pelo qual um ser humano se funde com a Divindade, podemos utilizar o símbolo do hexagrama.
 Esta figura geométrica, a que a ciência espiritual chama o selo de Salomão, é constituída por dois triângulos equiláteros entrelaçados, um com a ponta virada para cima e o outro com a ponta virada para baixo. Estes dois triângulos representam os dois processos universais “evolução” e involução”: a evolução da matéria que se dirige para o espírito (o triângulo com a ponta virada para cima) e a involução do espírito que desce à matéria para a visitar (o triângulo com a ponta virada para baixo). Estas duas figuras ensinam-nos como podemos elevar-nos até à Divindade para nos fundirmos nela e que, ao mesmo tempo que nos elevamos, ocorre um movimento inverso, a Divindade desce para viver e se manifestar em nós."

"Aquele que trabalha para o bem da coletividade torna-se um obreiro no campo do Senhor. Os espíritos luminosos aproximam-se dele para o marcar com o seu selo. Depois de ter sido marcado, é como se ele tivesse sido inscrito num registo: junto ao seu nome, é anotado o que lhe é devido e todos os dias ele recebe uma “encomenda”, a que também podemos chamar “salário”. Este salário assume diversas formas: força para o espírito, dilatação para a alma, luz para o intelecto, calor para o coração, saúde para o corpo físico.
Podemos usar outra imagem e dizer que ele está ligado a uma central elétrica: pelos fios subtis que o ligam a essa central, descem correntes que nele penetram e ativam os seus aparelhos psíquicos e espirituais. Numa casa, quando se liga qualquer aparelho a uma tomada elétrica, ele começa a funcionar. Acontece o mesmo no ser humano. Um ser humano possui tantos emissores e recetores nos seus diferentes corpos! Se ele tiver o cuidado de os manter em bom estado de funcionamento, quando a corrente celeste aí penetrar, despertará e começará a circular nele uma vida completamente nova."

"A Terra é uma escola, um centro de aprendizagem onde nós descemos por várias razões, principalmente para pagarmos dívidas que, por causa dos nossos erros, contraímos nas encarnações anteriores. Também temos de compreender as condições que nos foram dadas para esta existência e, finalmente, devemos procurar aperfeiçoar-nos em todos os domínios.
A maior parte dos humanos, que não sabem porque estão na Terra, limitam-se a procurar tudo o que pode garantir-lhes o bem-estar, satisfazer os seus desejos. Mas aqueles que são esclarecidos sabem que estão aqui para reparar os erros que cometeram nas suas vidas anteriores. Procuram também compreender porque encarnaram em determinado país e em determinada família, e o que é que essa situação exige deles. Finalmente, esforçam-se por desenvolver todas as sementes de qualidades e virtudes que o Criador depositou neles desde o começo. Uma Escola Iniciática é tão indispensável por isto: não há nada acima do esclarecimento que ela proporciona ao discípulo sobre o sentido da sua vida terrestre."

"Os exercícios espirituais, tais como a oração e a meditação, são formas de comunhão. Contudo, nem toda a gente tem o tempo, as condições ou mesmo o gosto e os dons para a prática espiritual. Mas todos têm de comer diariamente. É possível, pois, começar por aprender a comungar durante as refeições, tendo mais consideração pelos alimentos.
O que é comungar? Fazer uma troca: vós recebeis uma coisa e dais outra. Se não derdes nada, não será uma verdadeira comunhão. A verdadeira comunhão é uma troca divina. Se, em troca daquilo que os alimentos vos dão, lhes derdes a vossa atenção, o vosso amor, eles transformar-se-ão em vós não só em energias físicas, mas também em energias psíquicas e espirituais, pois estabelecereis uma relação com a própria Natureza, que é o corpo de Deus. Se, quando ides começar a comer, tomardes consciência de que Deus pôs a sua vida nos alimentos, as células do vosso corpo receberão, por vosso intermédio, a verdadeira comunhão, isto é, um elemento espiritual que as ajudará no seu trabalho para o bem de todo o vosso organismo."

"Todos sabem como é importante estar atento, mas a atenção tem vários aspetos. O mais conhecido consiste no foco continuado que é necessário para fazermos corretamente o nosso trabalho, compreendermos o que nos dizem, estudarmos, etc. Mas existe também uma outra forma de atenção, que se chama “auto-observação”. Ela consiste em tomarmos consciência, em cada momento do dia, daquilo que se passa em nós, em discernirmos as correntes, os desejos e os pensamentos que nos atravessam, as influências e os impulsos que sentimos. É esta atenção que não está suficientemente desenvolvida.
Se fordes visitados por pensamentos e sentimentos que vos tiram o ânimo, a confiança, a alegria, é porque não estais atentos, vigilantes. E o que reduz a vigilância é o gosto pela facilidade, pelos prazeres. Com efeito, como se pode estar vigilante quando só se tem vontade de ir atrás daquilo que é fácil e agradável? É como uma humidade que se deposita nas asas da alma e a impede de voar. E, quando a vossa alma já não consegue voar, qualquer entidade tenebrosa do mundo invisível pode tomar posse dela e tirar-vos a paz, a alegria, a esperança."


"Só a fusão, a união, o êxtase, permitem ao homem conhecer Deus. Para esclarecermos este processo pelo qual um ser humano se funde com a Divindade, podemos utilizar o símbolo do hexagrama.
 Esta figura geométrica, a que a ciência espiritual chama o selo de Salomão, é constituída por dois triângulos equiláteros entrelaçados, um com a ponta virada para cima e o outro com a ponta virada para baixo. Estes dois triângulos representam os dois processos universais “evolução” e involução”: a evolução da matéria que se dirige para o espírito (o triângulo com a ponta virada para cima) e a involução do espírito que desce à matéria para a visitar (o triângulo com a ponta virada para baixo). Estas duas figuras ensinam-nos como podemos elevar-nos até à Divindade para nos fundirmos nela e que, ao mesmo tempo que nos elevamos, ocorre um movimento inverso, a Divindade desce para viver e se manifestar em nós."

" Na época em que as pessoas se alumiavam usando candeeiros a petróleo, era necessário limpar frequentemente a chaminé de vidro para fazer desaparecer a camada de fumo que nela se depositara. Senão, mesmo que a mecha estivesse acesa, a iluminação era insuficiente. Depois, felizmente, surgiu a eletricidade.
Porque é que eu estou a falar-vos do candeeiro a petróleo? Porque o ser humano também é uma espécie de candeeiro. Se ele alimenta a sua chama com petróleo, ou seja, se se deixa ir atrás de sentimentos grosseiros, vulgares, estes depositam-se como fumo, como fuligem, no seu corpo astral, e a luz nele, os raios do seu Eu superior, não podem atravessar essa camada opaca. Um tal ser permanece na escuridão, cego para o mundo divino, até ao dia em que aprender a usar melhores combustíveis, sentimentos que não deixam qualquer impureza. Os Iniciados, os sábios, veem coisas que os outros não conseguem ver porque trabalharam durante muito tempo para tornar transparente a sua matéria psíquica: o seu Eu superior, cujos raios se projetam ao longe, torna visível para eles todo um mundo subtil."

"Para se viver a vida espiritual, é preciso ter o espírito livre. Ora, é difícil ter o espírito livre quando se possui uma grande fortuna que é preciso preservar... e até aumentar! Sem falar das tentações que isso representa. Como renunciar aos prazeres quando se tem tantos meios para satisfazer os seus apetites?
Mas, para viver a vida espiritual, não basta abandonar as suas posses. De nada serve alguém renunciar aos bens materiais, se não se libertar também dos pensamentos, dos sentimentos e dos desejos que obscurecem o seu olhar interior. Aqueles que ignoram o que é a verdadeira espiritualidade podem imaginar que, abandonando os seus bens materiais, encontrarão a salvação. Então, fogem da sociedade para se refugiarem em mosteiros ou noutros lugares... Mas só encontram o vazio. E até pior: privados de todas as atividades e distrações que o mundo exterior proporciona, em vez de encontrarem presenças luminosas, são confrontados com os seus próprios demónios. Antes de se renunciar aos bens materiais, é preciso assegurar que se possui as riquezas interiores suficientes para ser capaz de viver a vida da alma e do espírito."


"Quando colocais uma semente na terra, ela estabelece imediatamente ligações, pois inúmeros elementos contidos no solo vão contribuir para a alimentar. Mas ela entra também em relação com o céu: a chuva rega-a, o Sol envia-lhe a sua luz e o seu calor e ela começa a germinar. Vós simplesmente plantastes uma semente ou um caroço e, com esse gesto, fizestes com que o céu e a terra participassem na sua germinação e no seu crescimento.
Em nós ocorrem processos análogos. Por exemplo: quando introduzimos uma semente (alimentos) na nossa terra (o estômago), imediatamente o nosso céu (o cérebro) envia para o estômago correntes para ele começar a trabalhar e a transformar esse alimento em energias. Portanto, todo o corpo beneficia com isso, inclusive o cérebro. Quando se liga a terra ao Céu, o que está em baixo ao que está no Alto, graças a estas ligações ocorrem trocas; quando se desliga a terra do Céu, essas trocas são interrompidas. Ligar e desligar... Encontramos estas duas operações em todos os domínios da existência."

"Seja qual for a vossa idade, esforçai-vos por ser crianças confiantes, que se regozijam com as mínimas coisas e esquecem rapidamente as ofensas e os insucessos, crianças com um coração constantemente disposto a amar. Deste modo, nunca envelhecereis.
A Inteligência Cósmica faz passar o ser humano da infância à velhice porque a idade avançada também traz coisas boas. Simbolicamente, podemos dizer que a infância e a velhice correspondem às duas principais virtudes que devemos desenvolver: a infância representa o amor que quer agir e manifestar todas as possibilidades da vida; a velhice representa a sabedoria que analisa e tira conclusões de todas as suas experiências. É preciso que a criança e o velho, o amor e a sabedoria, aprendam a caminhar juntos: o amor no coração e a sabedoria no intelecto. O coração deve permanecer eternamente jovem e o intelecto deve tornar-se muito velho."

"As relações entre o espírito e o corpo são, desde a origem, uma das questões que o ser humano tem mais dificuldade em resolver. Há muitos pretensos espiritualistas que consideram o corpo como “o túmulo do espírito”. Eles devem aprender a raciocinar melhor. Se o corpo fosse realmente uma prisão, se ele se opusesse assim tanto à evolução dos humanos, porque é que a Inteligência Cósmica os enviaria para se encarnarem na terra? Eles deveriam permanecer no Alto, como puros espíritos... Ora, naqueles que negligenciam o seu corpo físico com o pretexto de se consagrarem às nobres funções do intelecto, da alma e do espírito, são estas mesmas funções que acabam por enfraquecer e sucumbir.
Na realidade, o que impede a manifestação do espírito nos humanos não é tanto o seu corpo físico, mas sim a carapaça fluídica formada pelos desejos, pelas invejas e pelos conflitos da sua natureza interior. Se esta não estivesse sempre a criar toda a espécie de miasmas e de fumos, o seu corpo tornar-se-ia um instrumento perfeito para o espírito."


"Os crentes de todas as religiões têm como primeiro artigo de fé que Deus é o criador do Céu e da terra. Eles recitam isso nas suas orações e cantam-no nos seus cânticos, mas depois regressam às suas ocupações habituais. No céu, o Sol, a Lua e as constelações erguem-se e desaparecem; na terra, as flores florescem, os frutos amadurecem, os rios correm... Toda a Natureza está sempre a glorificar o Criador, celebrando a sua obra.
Entretanto, o que fazem os humanos? Encontram-se para glorificar esta ou aquela pessoa que manifesta alguns talentos, algumas qualidades ou virtudes, ou para se glorificarem a si mesmos. Glorificar Deus não faz parte das suas preocupações. Mesmo aqueles que, por um momento, o glorificaram nas suas orações ou nos seus cânticos, de seguida pensam mais em dirigir-Lhe queixas e reclamações. Será que eles tomam consciência, alguma vez, desta contradição?"


"O ser humano, criado à imagem de Deus, é habitado por uma entidade que é uma emanação d’Ele: o seu Eu superior. Mas esta entidade divina não habita no seu corpo físico. Se ela aí habitasse, realizaria prodígios por seu intermédio.
 Consoante o grau de evolução de um ser, o seu Eu superior vem tomar contacto, com maior ou menor frequência e durante mais ou menos tempo, com o seu cérebro. Mas como, por enquanto, nenhum cérebro humano está preparado para suportar o poder das suas vibrações e pôr-se em sintonia com ele, o Eu superior não se demora. Durante ainda muito tempo, e se lhe dermos condições para tal, ele terá de trabalhar à distância sobre o nosso cérebro para o preparar. Só no dia em que o nosso cérebro for capaz de o abrigar é que o nosso Eu superior tomará completamente posse dele."

"Quando se diz de um homem que ele é santo ou de uma mulher que ela é santa, geralmente pensa-se na sua bondade, na sua paciência, na sua abnegação, na sua capacidade para perdoar ofensas. Estas qualidades são as de um coração que não alimenta qualquer sentimento egoísta ou agressivo, ou seja, que é puro. Mas a verdadeira santidade pertence a um mundo superior, o da inteligência iluminada pela luz divina. Por isso, só o espírito é santo. Na tradição cabalística, Deus é designado “o Santo”. Muitas vezes, em vez de dizerem “Deus”, os cabalistas usam a expressão «Bendito seja o Santo!» E, no livro do Apocalipse, os Serafins, que estão diante do trono de Deus, não param de repetir, dia e noite: «Santo, santo, santo é o Senhor Deus, todo-poderoso.»
 É importante estabelecer a diferença entre pureza e santidade. A pureza é condição para a santidade: para se chegar à santidade do espírito, primeiro é preciso ter purificado o seu coração."


"Quando estão desiludidos pelos acontecimentos, insatisfeitos com a sua sorte, os humanos têm tendência para se projetar no futuro. A esperança é, sem dúvida, a última coisa que eles perdem. Mas, enquanto se espera por dias melhores, tem-se necessidade de encontrar algo em que se apoiar para aguentar. Ora, para aguentar, é preciso não só ter fé, mas também alimentar em si a vida, e é graças ao amor que se alimenta a vida. Senão, a esperança pode não passar de uma fuga à realidade, e então também ela, um dia, nos abandona.
Mas, em geral, o que fazem os humanos? À menor deceção, ao menor obstáculo, perdem o seu amor, perdem a fé, e então a esperança também os deixa. Como fazê-los compreender que as dificuldades só são vencidas pela fé, pela esperança e pelo amor? Mas desde que esta esperança, esta fé e este amor estejam virados para Deus. Estas três virtudes podem ser comparadas às três faces de um prisma de cristal e a presença divina é o raio de Sol que incide sobre o prisma para se decompor em sete cores."

"Muitas vezes, tendes a impressão de um vazio: algo falta em vós. Mas, em vez de vos multiplicardes em encontros, de vos questionardes sobre que novo objeto adquirir ou que situação prestigiosa alcançar, pensai antes em mudar alguma coisa nas vossas perceções. Cultivai a faculdade de ter sensações subtis e podereis passar séculos a contemplar o Sol, as estrelas, as flores, os rostos... sem nunca vos cansardes.
Presentemente, nos jornais, na rádio, na televisão, a publicidade está sempre a tentar convencer as pessoas de que, se comprarem tudo o que lhes é proposto, se sentirão preenchidas. Não, escutai antes os Mestres espirituais, que vos dizem: «Elevai-vos muito alto pelo pensamento, pela oração, e captareis uma partícula, um átomo impercetível, que vos dará o gosto pelas coisas.» Assim que tiverdes recebido esse átomo, ele produzirá em vós vibrações tão intensas, tão subtis, que despertareis para uma vida mais vasta, mais rica, e sentir-vos-eis preenchidos."

"A questão da incarnação dos filhos numa família é muito mais complexa e profunda do que geralmente se pensa. Os pais verdadeiramente sensíveis, se mergulhassem os seus olhos nos dos seus filhos, poderiam sentir que estes são como visitantes desconhecidos aos quais eles dão hospedagem por um certo tempo. Essa alma que vem nascer na sua família não é uma criação sua, eles apenas lhe dão um abrigo no plano físico.
Os pais devem estar atentos e ser bons para a alma que acolhem, nunca esquecendo que os verdadeiros pais dela são pais divinos. Tal como os pais da terra que hospedaram o seu filho algures, os pais divinos sabem que devem algo àqueles que se encarregaram desse ser; e se ele foi bem tratado, educado, amado, eles recompensam-nos generosamente."

"Todos os dias os humanos têm múltiplas ocupações que os obrigam a descer à matéria. Mas eles devem apenas descer, não cair; é preciso ver bem a diferença. A condição para não cair é permanecer ligado ao espírito que habita em nós. Assim, quando eles passarem interiormente por períodos difíceis, encontrarão os meios para escapar à dúvida, à angústia, ao desânimo: escadas que lhes permitirão aceder às regiões superiores da consciência.
Na matéria, é possível encontrar todos os bens, mas também todos os males. Para não se deixar engolir, é preciso ter o cuidado de descer sem obstruir os degraus, sem partir as escadas, sem serrar as cordas, a fim de se poder voltar para cima rapidamente e ficar abrigado em caso de perigo. A fé e um alto ideal são essas escadas e essas cordas que permitem subir rapidamente aos andares superiores."

"Tudo o que desejardes ardentemente realiza-se de imediato nos planos subtis. Se persistirdes nos vossos desejos, essas realizações, que ainda só existem no invisível, descerão cada vez mais e tomarão forma no plano físico. Seja para o bem, seja para o mal, de uma certa maneira todos os desejos acabam por se realizar. Portanto, deveis preocupar-vos unicamente com a natureza desses desejos, para que, ao realizarem-se, eles não vos levem a cometer erros graves.
Podeis desejar ser ricos, mas então imaginai-vos a partilhar essas riquezas com os necessitados e não a usá-las só para vossa satisfação. Podeis desejar a beleza, mas não a beleza que semeia perturbação nos corações: concentrai-vos na beleza espiritual, a que inspira os seres e os projeta para o mundo divino. Em todos os vossos desejos e projetos, sejam quais forem, tende o cuidado de nunca perder de vista o lado moral; senão, um dia também vós sofrereis."

"Vós tendes uma dor de cabeça, uma borbulha, uma crise de fígado... Não tenteis sempre ver-vos livres delas imediatamente, recorrendo a um medicamento. Com efeito, pode acontecer que a Natureza vos traga esse mal para vos levar a fazer no plano psíquico um trabalho que ainda não fizestes e que não faríeis sem isso. Então, começai por orar e concentrai-vos na luz, procurando esquecer esse mal; ao fim de algum tempo, é possível que ele desapareça e vós tereis feito, interiormente, grandes progressos.
Compreendei-me bem: eu não digo que a oração e o pensamento são um remédio para todos os males e substituem todos os medicamentos. Digo apenas que, em vez de escolherdes sempre a facilidade, livrando-vos dos menores mal-estares com meios exteriores – comprimidos, pílulas... –, procurai apelar primeiro para um elemento espiritual, trabalhai com a luz, com o amor, com a harmonia, com a pureza. Desse modo, não só é possível que consigais livrar-vos desse pequeno inconveniente, como todo o vosso ser beneficiará com ele, pois o trabalho que fazeis nessas circunstâncias não incide apenas em algumas células do vosso corpo, algures, mas sim em todo o vosso organismo físico e psíquico. E, se depois tomardes medicamentos, não esqueçais que um trabalho do pensamento aumentará a sua eficácia. "

"Os humanos são atraídos pelo dinheiro porque, instintivamente, sentem que ele representa todas as possibilidades que a vida lhes dá. Só que cometem o erro de confundir o dinheiro com a vida. Creem que o dinheiro lhes dará tudo do mesmo modo que a vida dá tudo, e por isso atribuem-lhe uma importância que são incapazes de dar à vida. Eles tremem perante a ideia de que possam roubar-lhes o seu dinheiro e tomam precauções incríveis para o proteger. Notai o que se passa nos bancos: tornaram-se verdadeiras fortalezas, nada é mais vigiado e protegido do que os cofres-fortes. Mas porque é que os humanos não tremem perante a ideia de esbanjarem a sua vida, que é o seu bem mais precioso, pois é a quinta-essência do próprio Deus? Essa quinta-essência contém todas as riquezas do Universo, e são essas quinta-essências que eles aceitam perder quando procuram obter com afinco umas coisitas sem importância.
O dinheiro é a expressão material de todas as possibilidades que a vida nos dá, sim, mas somente a expressão material. É preciso aprender a transpô-lo para os outros planos – afetivo, mental e espiritual –, a fim de se obter nesses planos o equivalente às riquezas materiais."

"Ao longo das eras, aqueles que guiaram os povos tiveram de começar por ensinar-lhes a justiça. Já era um progresso, e foi o que Moisés fez. Quando Jesus veio, disse que havia algo superior à justiça: a indulgência, o perdão. Mas também não se deve ficar por aqui, pois o perdão, só por si, nada resolve.
Deve-se perdoar, claro, mas, se alguém vier atacar-vos, não podeis ser mais fortes do que ele? Ser mais forte do que o vosso inimigo e, por intermédio de um gesto, de um olhar, de uma vibração divina, fazê-lo sentir não tanto a vossa superioridade, mas a superioridade do espírito. É esta a ambição que deveis ter. Quando conseguireis realizá-la, isso é outra questão. Mas, pelo menos, trabalhai nesse sentido, para não ficardes sempre divididos entre a tendência para ripostar com violência e a de vos deixardes maltratar. O verdadeiro cristão deve estar armado, mas com novas armas. Se o atacarem, ele deve defender-se, mas só com as únicas armas verdadeiras: o amor e a luz."